Resenha: A Vida é Muito Curta – Abby Jimenez

post a vida é muito curta

Uma youtuber, um advogado reservado, uma bebê com superpoderes e a pergunta que ninguém quer responder

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FICHA RÁPIDA

  • Título original: Life’s Too Short
  • Data de publicação: EUA: 2021 | Brasil: 2025
  • Tropes: Opostos que se atraem, proximidade forçada (vizinhos), friends to lovers
  • POV: Duplo (dual POV), primeira pessoa
  • Temperatura: Morno — tem tensão e romantismo bem construídos, mais afetivo do que quente, sem cenas explícitas
  • Faixa etária dos protagonistas: Jovens adultos
  • Ambiente: Cotidiano urbano
  • Ritmo: Slow burn emocional

Você já leu um livro que te fez rir numa página e chorar na próxima, e quando tentou processar os dois sentimentos ao mesmo tempo simplesmente desistiu e entrou em colapso emocional no sofá? Bem-vinda a A Vida é Muito Curta, terceiro e último livro da série The Friend Zone, de Abby Jimenez.

Pegue seu cobertor. Você vai precisar. A autora guardou o golpe mais certeiro pra esse fechamento. Não é exagero dizer que esse é o mais emocionalmente denso dos três e o mais bonito. Enquanto os dois primeiros livros entregavam humor, tensão e personagens incríveis, esse faz tudo isso e ainda te faz parar a leitura pra pensar na sua própria vida. Não é todo livro que consegue esse feito sem ser pesado. A Abby consegue.

Conheça Vanessa Price: youtuber com milhões de seguidores, viajante compulsiva, filósofa do carpe diem. Ela não vive assim por estética — ela vive assim porque sua mãe e sua irmã morreram antes dos 30 anos por conta de uma doença genética sem cura, e ela tem mais de 50% de chance de ter herdado o mesmo destino. Viver intensamente não é uma escolha de lifestyle pra Vanessa, é um ato de coragem diário. Por trás da fachada vibrante e do canal de viagens que inspira milhares de pessoas, tem uma mulher que aprendeu muito cedo que o tempo pode ser curto e decidiu que preferia viver correndo a ficar parada esperando o pior.

E então a meia-irmã aparece na porta do apartamento, deixa uma bebê nos braços de Vanessa e some. Assim. Sem manual de instruções, sem aviso prévio, sem absolutamente nada além de uma criança que chora e um cobertor.

É aqui que Adrian Copeland entra em cena. Advogado talentoso, meticuloso, dono do prédio onde Vanessa mora. Ele é primo do Josh — sim, aquele Josh do livro Apenas Amigos?. E quem leu Playlist para um Final Feliz talvez se lembre dele num contexto diferente: Adrian foi o encontro às cegas da Sloan, uma cena que passou rápido, mas plantou a semente da personagem.

Quieto, metódico, contido, Adrian foi abandonado pelo pai na infância e acabou de enfrentar um término difícil, o que o deixou obcecado por previsibilidade — ele prospera onde há ordem, e entra em colapso silencioso onde há incerteza. E Adrian tem um chihuahua idoso que é, junto com a bebê, responsável por algumas das cenas mais fofas que a Abby já escreveu. O encontro deles acontece em plena madrugada, no meio de um desespero materno que Vanessa não pediu, e a partir daí uma amizade se constrói de um jeito tão orgânico e natural que você nem percebe quando virou algo mais.

A dinâmica entre os dois é simplesmente deliciosa. Adrian é o oposto de Vanessa em tudo: onde ela é espontânea e caótica, ele é planejado e controlado. E juntos funcionam de um jeito que faz você entender por que opostos que se atraem é um trope que nunca morre — porque quando bem escrito, é irresistível. Vanessa enxerga Adrian de um jeito que ninguém havia enxergado antes. E ele, por sua vez, oferece a ela algo que ela nunca soube que precisava: presença constante, segurança real, um porto que não some quando as coisas ficam difíceis. Juntos, eles se transformam. E acompanhar essa transformação é a melhor parte do livro.

O grande obstáculo aqui não é falta de comunicação nem segredo mal guardado — é algo muito mais difícil de resolver com uma conversa: Vanessa se recusa a se apaixonar porque acredita que não tem o direito de começar algo que talvez não possa terminar. E se recusa a fazer o teste que confirmaria se tem ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), vivendo numa espécie de limbo proposital. A lógica dela é cruel e completamente compreensível ao mesmo tempo. Como você pede pra alguém ficar quando não sabe se vai estar aqui daqui a um ano? Como você se permite ser amada quando o medo do que pode vir é grande demais? Adrian, por sua vez, precisa aprender a amar sem controlar — a estar presente sem tentar consertar, a aceitar a incerteza sem fugir dela.

A autora trata a ELA com uma seriedade e um cuidado que vai além do recurso narrativo. Você aprende sobre a doença sem sentir que está lendo um texto informativo. A consciência de que o tempo pode ser limitado permeia cada cena, cada diálogo, cada escolha de Vanessa, e isso transforma o romance em algo que respira de verdade.

A única ressalva que tenho é que a resolução da questão da saúde mental do Adrian foi acelerada demais, com um salto temporal que não faz jus à profundidade com que o tema foi introduzido. E Vanessa, em certos momentos, pode soar egoísta na forma como prioriza seus próprios medos sem considerar o impacto nos outros. No entanto, essas ressalvas não comprometeram em nada o impacto emocional da história. Pelo menos pra mim.

A Vida é Muito Curta é sobre a coisa mais difícil que existe: se permitir amar quando o futuro é incerto. Spoiler: o futuro sempre é incerto. A Vanessa só tem a consciência mais aguda disso do que a maioria de nós.

E quando você fechar esse livro, vai querer ligar pra alguém que você ama. Faça isso.

É pra você que…

  • Quer um romance que faça você pensar na própria vida enquanto lê
  • Se emociona com histórias sobre mortalidade, tempo e coragem de amar mesmo com medo
  • Ama ver dois opostos se transformando genuinamente um por causa do outro
  • Curte protagonista feminina vibrante, espontânea e cheia de camadas por baixo da fachada
  • Gosta de heróis reservados que crescem de verdade ao longo da história, sem salto mágico de personalidade
  • Quer um romance que equilibre humor, leveza e profundidade emocional sem pesar demais
  • Leu os outros livros da série e quer reencontrar personagens queridos num momento diferente de suas vidas

Não é pra você que…

  • Temas como doenças terminais, mortalidade e medo da morte te afetam demais durante a leitura
  • Prefere conflitos externos e dramáticos — aqui o obstáculo é majoritariamente interno e emocional
  • Se irrita com protagonista que toma decisões que parecem egoístas na forma de proteger os outros de si mesma
  • Espera resolução rápida e satisfatória para todos os arcos — alguns fios são amarrados com salto temporal que pode frustrar
  • Precisa de cenas quentes para se sentir satisfeita com o romance

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