Resenha: Até o Fim do Verão – Abby Jimenez

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Uma maldição do Reddit, um plano maluco e um casal que vai te partir o coração do jeito certo

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FICHA RÁPIDA

  • Título original: Just for the Summer 
  • Data de publicação: EUA: 2024 | Brasil: 2025
  • Tropes: dating pact, strangers to lovers, vacation romance
  • POV: Duplo (dual POV), primeira pessoa
  • Temperatura: Morno — tem tensão sexual presente, clima mais quente que os anteriores da série, mas sem cenas explícitas
  • Faixa etária dos protagonistas: Jovens adultos
  • Ambiente: Lago Minnetonka, Minnesota — verão, natureza, clima de cidade pequena acolhedora com pitadas de found family
  • Ritmo: Slow burn consistente — gostoso de acompanhar, mas com momentos em que a protagonista enrola o suficiente pra testar sua paciência

Tá, eu preciso começar pelo começo: a premissa do terceiro e último livro da série Parte do seu Mundo, de Abby Jimenez, é genial e ridícula ao mesmo tempo, e é exatamente por isso que funciona. Justin acredita que tem uma maldição. Toda vez que termina um relacionamento, a ex encontra o amor da vida dela logo depois. Parece coincidência? Talvez. Mas aí ele posta no Reddit — sim, no Reddit — e descobre que Emma passa exatamente pela mesma coisa. E os dois, em um momento de lógica absolutamente impecável, chegam à conclusão óbvia: precisam namorar um com o outro, com data marcada para terminar, para quebrar a maldição e liberar o caminho para o amor de verdade.

Um planejamento à prova de falhas. Sem como dar errado. Adivinha? Dá errado. Completamente.

Emma é enfermeira itinerante — a cada seis meses, nova cidade, novo hospital, nova fase. Parece liberdade, e é. Mas a Abby vai te mostrando, aos poucos, que por trás de toda essa mobilidade tem uma menina de oito anos que foi abandonada pela mãe e aprendeu que não adianta criar raízes porque as raízes doem quando são arrancadas. Emma é engraçada, organizada, metódica, e carrega um sentimento de culpa constante que vai te apertar o coração em mais de um momento.

Justin, por sua vez, é o tipo de personagem que você não merece, mas Abby Jimenez entregou de graça. Charmoso, brincalhão, cavalheiro, completamente caidinho pela Emma desde cedo — e ainda assim respeitoso o suficiente pra não forçar nada. Ele tem seus próprios problemas, sua vida vira de cabeça pra baixo no meio da história de um jeito que você não espera, e ainda assim ele continua sendo presente, comprometido e profundamente humano. É o tipo de herói que faz você parar e pensar: “quem escreveu esse homem merece um prêmio.”

A dinâmica entre os dois tem uma química absurda desde os primeiros parágrafos. Eles se conhecem pelo Reddit, começam a se falar, e quando finalmente se encontram pessoalmente — com um plano de quatro encontros, regras estabelecidas e tudo — o apego já está formado. É slow burn com aquela tensão deliciosa de “a gente sabe que eles vão se apaixonar, eles sabem que vão se apaixonar, e ainda assim ficamos aqui sofrendo juntos.”

Parece que Abby escolheu criar protagonistas especialmente irritantes nessa trilogia. Porque, assim como Alexis e Briana, a Emma também vai te irritar bastante. A relação tóxica dela com a mãe biológica vai fazer você parar de ler pra respirar. Tem momentos em que ela age de um jeito que parece injusto com quem está ao redor, e você vai querer invadir o livro pra ter uma conversa séria com ela. Mas você entende, de novo. Abby não suaviza os comportamentos difíceis da Emma nem passa pano. Ela mostra o trauma, mostra a origem, e te deixa torcer pela cura mais do que ficar irritada com os sintomas.

Um ponto que merece destaque especial: a relação de Justin com os irmãos mais novos. É de longe uma das partes mais bonitas do livro. A dinâmica familiar dele — cheia de conflitos, responsabilidade e amor real — contrasta com o vazio da família da Emma de um jeito que dói e faz sentido ao mesmo tempo. Eles vêm de mundos completamente diferentes, e a autora usa isso sem drama exagerado, só com verdade.

Os personagens secundários também entregam demais. Os irmãos de Justin roubam cenas. Maddy, a melhor amiga de Emma, é aquele tipo de amiga que você quer ter — imperfeita, intensa, mas completamente presente. E o Brad, o cachorro, merece crédito nos agradecimentos do livro, ponto final.

Ah, e tem um plot twist que vai te deixar de queixo caído. Especialmente se você leu os livros anteriores da série — e por isso, mais uma vez, a ordem importa. Muito.

No fundo, Até o Fim do Verão é sobre o quanto o trauma pode nos fazer acreditar que ficar é mais perigoso do que ir embora. É sobre construir versões idealizadas das pessoas que amamos e o quanto confrontar a realidade dói — mas é necessário. É sobre aprender que o amor de verdade não some quando a vida complica. E a Abby entrega tudo isso com humor, com emoção e com aquela competência irritante de fazer você rir numa página e apertar o coração na próxima.

Último livro da série. E que fim de série.

É pra você que…

  • Ama um herói completamente apaixonado que não esconde o jogo
  • Curte premissas criativas e um pouco nonsense narradas do jeito certo
  • Se interessa por representação honesta de trauma de abandono e saúde mental
  • Gosta de romance construído em amizade genuína antes de qualquer coisa
  • Quer um livro que faça rir e apertar o coração na mesma página
  • Curte personagens secundários ricos que parecem família de verdade
  • Leu os livros anteriores da série e quer ver o universo da Abby se fechar com chave de ouro

Não é pra você que…

  • Não tem paciência com protagonista que evita o óbvio por tempo demais
  • Se irrita profundamente com falta de comunicação e comportamentos autodestrutivos
  • Quer cenas quentes — aqui tem clima, mas entrega contida
  • Prefere romances sem temas pesados como abandono, trauma de infância e dinâmicas familiares difíceis
  • Não leu os livros anteriores e não quer correr risco de spoiler — esse é o que mais exige a ordem de leitura da série
  • Prefere casais equilibrados desde o início, sem aquela sensação de amor unilateral por boa parte da história

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