Um veterinário com cara de deus grego, um gatinho e o relacionamento à distância mais emocionante que você vai ler esse ano
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FICHA RÁPIDA
- Título original: Say You’ll Remerber Me
- Data de publicação: EUA: 2025 | Brasil: 2026
- Tropes: grumpy x sunshine, enemies to lovers (levinho), relacionamento à distância
- POV: Duplo (dual POV)
- Temperatura: Morno — tem tensão e romantismo bem construídos, clima mais afetivo do que quente, sem cenas explícitas
- Faixa etária dos protagonistas: Adultos
- Ambiente: Minneapolis (Minnesota) e Glendale (Califórnia) — o contraste entre os dois mundos é parte central da história
- Ritmo: Moderado — mais próximo de ficção feminina do que comédia romântica pura. Tem humor e leveza, mas o peso emocional é real e constante.
Tudo começa com um gatinho enfiado num sutiã.
Não é metáfora. É literalmente o que acontece. Samantha Diaz entra na clínica veterinária do Dr. Xavier Rush com um filhote de rua de cinco semanas escondido dentro da roupa, e a partir daí a Abby Jimenez constrói uma das histórias de amor mais improváveis e gostosas da sua carreira. Bem-vindas à nova série. O padrão continua altíssimo.
Xavier é veterinário, dono da própria clínica em Minneapolis, de poucas palavras com as pessoas, mas coração mole com qualquer criatura de quatro patas. Cresceu numa família abusiva, se afastou dos pais aos 17 anos e canalizou tudo na construção do próprio sucesso — não por ambição, mas por necessidade de provar que valia mais do que eles diziam. É reservado, às vezes brusco, tem o hábito inconveniente de falar a coisa errada na hora errada, e carrega nos olhos aquele tipo de gentileza que só aparece em pessoas que sofreram de verdade. Resumindo: é o tipo de personagem que Abby escreve com aquela generosidade absurda que faz você querer entrar no livro e dar um abraço nele.
Samantha é gerente de redes sociais, otimista irrecuperável, acredita genuinamente que as pessoas são inerentemente boas — o que entra em choque direto com a visão de mundo do Xavier, que acredita que as pessoas são inerentemente idiotas. O encontro deles começa mal, com Xavier recomendando friamente a eutanásia do gatinho e Samantha saindo da clínica xingando-o pelos corredores. Clássico início de romance. Quando ela volta seis semanas depois, com o gatinho recuperado e uma campanha de financiamento coletivo bem-sucedida no currículo, ele admite que estava errado e a convida pra sair.
O problema: ela vai embora no dia seguinte. Pra Califórnia. Definitivamente.
O que acontece nesse encontro único que dura a noite toda — incluindo ficarem presos em uma escape room por quatro horas com a música Come On Eileen tocando em loop — é simplesmente um dos primeiros encontros mais cinematográficos que a Abby já escreveu. Você entende por que eles não conseguem simplesmente esquecer. A conexão é real, construída em detalhes e conversas. Aquele tipo de intimidade que nasce quando duas pessoas finalmente baixam a guarda ao mesmo tempo.
E aí começa o romance à distância. Minnesota e Califórnia. Ele pagando passagens com turnos extras de emergência. Ela conciliando emprego em tempo integral com os cuidados da mãe — Lisa, 54 anos, com demência de início precoce. A Abby trata a demência com um cuidado e uma seriedade que vai além do recurso narrativo. Não tem sentimentalismo fácil aqui. Tem fraldas, crises noturnas, o peso real de cuidar de alguém que às vezes não sabe seu nome. É pesado e é bonito ao mesmo tempo, e a autora equilibra esse peso com humor e leveza de um jeito que parece milagre de escrita.
A família da Samantha é um personagem à parte. A avó ex-hippie mexicana de 77 anos que presenteia a neta com um conversível azul-petróleo de 1966. O pai lidando com a situação à sua maneira torta. Os irmãos com seus próprios conflitos. É caótico, imperfeito e completamente humano. E Xavier entra nesse caos sem fugir — cuida da logística, alimenta a casa, encontra joias perdidas enquanto limpa. Ele não tenta consertar o que não tem conserto. Ele simplesmente fica.
Vocês sabem que eu não escondo minhas críticas, então vou ser honesta: o romance tem um traço de insta-love que pode não funcionar pra todo mundo. A distância geográfica ocupa tanto da narrativa que em alguns momentos eu senti falta de mais tempo entre os dois juntos. E o livro pende mais para ficção feminina do que para comédia romântica pura — quem chegou esperando leveza absoluta pode se surpreender com o quanto o peso emocional da história é real.
São críticas legítimas. Mas o que funciona, funciona muito. O banter entre os dois é delicioso. Xavier é o tipo de herói que você vê claramente que foi escrito por uma mulher que entende o que as mulheres precisam ver — não no sentido irreal, mas no sentido de que ele é imperfeito de um jeito plausível e amoroso de um jeito que parece possível. E o tema central do livro — memória, identidade, o quanto as lembranças compartilhadas constroem quem a gente é — é tratado com uma inteligência emocional que fica com você depois que o livro fecha.
Prometa que vai se lembrar de mim é mais sério, mais pesado e mais ambicioso do que a maioria dos romances da Abby. Nem todo mundo vai se apaixonar da mesma forma. Mas quem entrar disposta a sentir vai sair com o coração mais cheio.
E com uma vontade inexplicável de ligar pra mãe.
É pra você que…
- Quer um romance que trate de temas sérios como demência e cuidado familiar com honestidade e sem sentimentalismo fácil
- Ama heróis reservados que se revelam aos poucos e amam de forma concreta e presente
- Curte protagonistas femininas otimistas, criativas e cheias de personalidade
- Se emociona com histórias de família imperfeita que aprende a funcionar junta
- Gosta de romance onde o obstáculo principal é externo e circunstancial, não falta de comunicação ou segredo mal guardado
- Aguenta um insta-connection forte — aqui a ligação entre os dois se forma rápido e de forma intensa
- Aprecia livros que ficam com você depois que fecham, pelo tema e não só pelo romance
Não é pra você que…
- Quer comédia romântica leve do início ao fim — aqui o peso emocional é real e significativo
- Não tem paciência com relacionamento à distância como conflito central durante boa parte da narrativa
- Prefere casais com muito tempo juntos antes de qualquer comprometimento — a conexão aqui se forma num único encontro intenso
- Temas como demência, declínio cognitivo e dinâmicas de cuidado familiar te afetam demais durante a leitura
- Prefere romances onde o casal resolve os próprios problemas — aqui os obstáculos são majoritariamente externos e circunstanciais, sem solução fácil
O que vem por aí na série “Say You’ll Remember Me”?
The Night We Met chega em 24 de março de 2026 nos Estados Unidos como o segundo livro da série, e traz um dos tropes mais deliciosamente torturantes do universo do romance: o melhor amigo do namorado.
Chris e Larissa se cruzam na mesma noite em que ela conhece o namorado — numa decisão de segundos sobre quem vai levá-la pra casa depois de um show — e constroem uma amizade genuína e cheia de afinidade enquanto co-criam um Yorkshire terrier completamente desequilibrado. O problema, claro, é que ela está namorando o melhor amigo dele.
É o tipo de obstáculo que a Abby sabe usar com maestria: sentimentos que borbulham sob a superfície por tempo demais, tornando a explosão final ainda mais satisfatória. As primeiras resenhas internacionais já garantem o slow burn palpável e a tensão de fazer as páginas voarem.
A conexão com o primeiro livro da série é bem direta. Chris é farmacêutico e faz parte do grupo de amigos íntimos de Xavier — a found family que esteve ao lado dele desde a adolescência, quando ele ainda enfrentava a situação abusiva em casa. Ele aparece em Prometa que Vai Se Lembrar de Mim como parte desse núcleo próximo, ao lado de Mike, Jesse e Becca.
E é exatamente esse núcleo que a Abby está expandindo. E não para por aí. O terceiro livro, previsto para 2027, vai contar a história de Mike — mais um dos amigos de Xavier que você provavelmente já anotou mentalmente como “esse merece um livro” enquanto lia o primeiro. É o universo Say You’ll Remember Me se expandindo exatamente como aconteceu com as trilogias anteriores — cada personagem secundário querido ganhando seu próprio espaço, sua própria história, sem nunca abandonar as conexões que os unem.
Ainda não há data oficial da Arqueiro para o lançamento de The Night We Met no Brasil, mas considerando o histórico recente da editora, uma aposta segura seria algum momento entre o final de 2026 e início de 2027. Vale ficar de olho nas redes sociais da editora. Enquanto isso, quem lê em inglês pode se jogar já no lançamento de março. O resto de nós vai torcer e esperar — como sempre.
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