Porque ninguém entra num acordo assim achando que vai se apaixonar. E então se apaixona.
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O que é fake dating?
Dois personagens. Um problema que nenhum dos dois consegue resolver sozinho. Uma solução que parece perfeitamente racional na hora: fingir que estão namorando. Pode ser pra enganar a família que não para de perguntar sobre a vida amorosa, pra ciúmes no ex, pra conseguir uma promoção, pra ter um acompanhante num casamento, pra ganhar uma herança — os motivos são infinitos e igualmente improváveis na vida real. O que importa é que o acordo existe, as regras estão estabelecidas e a situação é completamente controlada.
Até não ser mais.
O fake dating é um dos tropes mais amados do romance contemporâneo porque a premissa já carrega dentro dela a semente da própria destruição. Desde a primeira página, o leitor sabe que o acordo vai virar sentimento. Os personagens não sabem — ou fingem não saber. E essa distância entre o que o leitor enxerga e o que os personagens admitem é onde mora toda a magia.
Por que fake dating funciona tão bem?
O fake dating tem um ingrediente que poucos tropes possuem em dose tão alta: intimidade construída sob pressão.
Quando dois personagens precisam convencer os outros de que estão apaixonados, eles precisam aprender sobre outro. Precisam descobrir os detalhes — como a outra pessoa toma o café, do que tem medo, o que a faz rir de verdade, qual é o jeito dela de ficar nervosa. Essa pesquisa forçada cria uma proximidade que nenhum dos dois pediu e que nenhum dos dois consegue ignorar depois.
Tem também o elemento da performance: eles precisam agir como casal. Segurar a mão. Olhar nos olhos do jeito certo. E em algum momento, inevitavelmente, a linha entre fingir e sentir começa a desaparecer — primeiro pra um, depois pro outro, e o leitor acompanha esse processo com aquela mistura deliciosa de ansiedade e expectativa que é a marca registrada do gênero.
Elementos que fazem fake dating funcionar
Um motivo crível para o acordo. O fake dating funciona quando a razão para a farsa faz sentido dentro da história. Quando você entende por que esses dois personagens específicos toparam esse acordo específico, tudo o mais se sustenta.
As regras. Todo bom fake dating tem regras. “Só em público.” “Sem beijos de verdade.” “Quando acabar o casamento, acabou tudo.” As regras existem para serem quebradas — e a forma como cada uma vai cedendo é onde está a tensão.
O momento em que alguém percebe primeiro. Um dos personagens sempre se apaixona primeiro. E aí começa o sofrimento mais gostoso do romance: carregar um sentimento real dentro de um relacionamento que deveria ser falso, sem poder falar nada.
A quebra do acordo. O momento em que a farsa desmorona — seja porque alguém confessa, seja porque uma situação impossível força a verdade à superfície — é a cena que o leitor esperou desde a primeira página.
Exemplos famosos de fake dating

A Hipótese do Amor (The Love Hypothesis), de Ali Hazelwood
O exemplo mais famoso do fake dating contemporâneo. Olive, doutoranda em biologia, beija o primeiro homem que encontra num momento de pânico para convencer a amiga de que está namorando. O homem é Adam Carlsen, professor brilhante e famoso por fazer alunos chorarem. Ele concorda com a farsa. A partir daí, a ciência da situação vai escapando completamente do controle das variáveis. Compre na Amazon.

Uma Farsa de Amor na Espanha (The Spanish Love Deception), de Elena Armas
Catalina precisa de um acompanhante para o casamento da irmã na Espanha e mente que tem um namorado americano. O único que se oferece para fazer o papel é Aaron Blackford — arrogante, irritante, e exatamente o tipo de homem que ela não aguenta. É enemies to lovers embrulhado em fake dating, com cenários de tirar o fôlego e uma tensão que não dá folga. Compre na Amazon.

O Acordo (The Deal), de Elle Kennedy
Garrett é o popular astro do hóquei do campus, a última pessoa que Hannah esperava ver batendo na sua porta pedindo para que ela seja sua tutora. O acordo é simples: ela ajuda com as notas, ele aparece como namorado falso para despertar o ciúme do cara que ela quer. O problema é que passar tempo real com Garrett revela um ser humano muito diferente da fama que o antecede — e fingir convencer os outros acaba sendo mais fácil do que convencer a si mesma. Compre na Amazon.
Esse foi o post #2 da série sobre os 15 tropes essenciais do romance contemporâneo. Se você caiu aqui de paraquedas e ainda não leu o primeiro post, o Enemies to Lovers está te esperando. No próximo: Slow Burn: sofrimento voluntário e delicioso em banho-maria.
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