Opposites Attract: o guia do trope onde o diferente completa

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Nunca foi sobre mudar o outro. Foi sobre descobrir que faltava exatamente aquilo que você menos esperava.

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O que é opposites attract?

Ela é espontânea, ele é metódico. Ela acredita que as pessoas são boas, ele acha que são idiotas. Ela vive no presente sem planos de longo prazo, ele tem agendas, cronogramas e uma lista de contingências. Em teoria, esses dois não deveriam funcionar. Em teoria.

O opposites attract é um dos tropes mais antigos da ficção — e um dos mais resistentes, porque responde a algo que a gente reconhece de forma quase instintiva. Pessoas muito parecidas tendem a se reforçar mutuamente, nos vícios e nas virtudes. Pessoas muito diferentes tendem a se expandir mutuamente. E há algo profundamente atraente na ideia de alguém que traz pro mundo um ângulo que você não conseguia ver sozinho.

Por que opposites attract funciona tão bem?

Porque quando é bem executado, não é sobre as diferenças como obstáculos — é sobre as diferenças como complementaridade.

Os melhores opostos que se atraem não são opostos que precisam se tornar iguais. São opostos que aprendem um com o outro sem perder quem são. O planejador não precisa virar espontâneo. O espontâneo não precisa virar planejador. Mas o planejador aprende a olhar pra cima de vez em quando, e o espontâneo aprende que um porto seguro não é uma prisão.

Essa troca, quando construída com cuidado, resulta em dois personagens que saem da história mais inteiros do que entraram. E um romance que você fecha acreditando que esse casal específico vai durar — não apesar das diferenças, mas por causa delas.

O opposites attract e o grumpy x sunshine são frequentemente confundidos, mas não são a mesma coisa. O grumpy x sunshine é sobre temperatura emocional — um personagem fechado e um radiante — e a dinâmica específica de um suavizar o outro. O opposites attract é mais amplo: pode envolver personalidade, valores, estilo de vida, visão de mundo, forma de pensar. Os dois podem coexistir no mesmo livro, mas um não é subconjunto do outro. O que define o opposites attract não é o humor de cada um, mas a diferença estrutural de como cada um existe no mundo. E o que a narrativa faz com essa diferença.

Elementos que fazem opposites attract funcionar

Diferenças que têm origem real. Os opostos precisam ter chegado aonde chegaram por razões. A espontaneidade que nasceu de uma infância imprevisível. O controle que nasceu de um ambiente caótico. As diferenças de personalidade com backstory são muito mais ricas do que diferenças genéricas.

Respeito pelas diferenças. O pior erro que um opposites attract pode cometer é fazer um dos personagens “ganhar” — como se a forma de viver de um fosse certa e a do outro errada. O trope funciona quando os dois aprendem, não quando um converte o outro.

Momentos em que o oposto revela algo. As melhores cenas são aquelas em que um personagem, por causa do outro, vê algo que não conseguia ver antes. Uma perspectiva, uma possibilidade, uma versão de si mesmo que não sabia que existia.

Química que nasce do atrito. Opostos não costumam concordar em tudo. E os desentendimentos — quando escritos com inteligência — são tão carregados de tensão e de afeto quanto as cenas românticas.

Exemplos famosos de opposites attract

a hipótese do amor

A Hipótese do Amor (The Love Hypothesis), de Ali Hazelwood

Olive é doutoranda em biologia, caótica por natureza, sempre um passo atrás de si mesma e com uma teoria científica sobre porque ela e relacionamentos não funcionam juntos. Adam é professor, estruturado, com uma frieza que a maioria interpreta como arrogância. Quando ela o beija por impulso para convencer a melhor amiga de que está bem, o acordo que se segue começa como experimento controlado — e vai saindo do controle de um jeito que nenhuma hipótese consegue prever. Ali Hazelwood usa o ambiente acadêmico com uma precisão que faz o leitor acreditar nos dois antes mesmo de eles acreditarem um no outro. Compre na Amazon.

dois erros um acerto

Dois Erros, um Acerto (Two Wrongs Make a Right), de Chloe Liese

Jamie é reservado, metódico, o tipo de pessoa que planeja antes de agir. Bea é exatamente o oposto em tudo — e os dois sabem disso desde o primeiro segundo. Quando os amigos em comum resolvem fazer o papel de cupido sem avisar, a vingança planejada pelos dois é fingir que estão apaixonados e depois terminar de forma espetacular. O problema clássico: a performance fica mais fácil do que a realidade sem ela. A Chloe Liese usa o banter entre os dois como termômetro — quanto mais afiado, mais próximos estão de admitir o óbvio. Compre na Amazon.

o guia para nao namorar

O Guia para (Não) Namorar de Josh e Hazel (Josh and Hazel’s Guide to Not Dating), de Christina Lauren

Hazel tem energia de criança no último dia de aula, zero filtro e uma coleção de animais que seria bandeira vermelha pra qualquer um. Josh é calmo, contido, o tipo de pessoa que respira fundo antes de responder. Eles se conhecem há anos e os dois têm certeza absoluta de que não combinam — certeza tão absoluta que acham uma ótima ideia arranjar encontros terríveis um para o outro. A Christina Lauren faz o que faz de melhor: transforma a negação em comédia e a comédia em algo que aperta o coração quando você menos espera. Compre na Amazon.

Esse foi o post #10 da série sobre os 15 tropes essenciais do romance contemporâneo. Estamos na metade — se você ainda não leu os nove anteriores, o início está no Enemies to Lovers. No próximo: Marriage of Convenience — quando o acordo era para ser simples, e não foi.

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15 Tropes de Romance Mais Populares (Guia Completo para Leitores)

→ Quer entender melhor porque opostos que se atraem é diferente de grumpy x sunshine? Leia o guia completo desse trope aqui.

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