Uma guarda-costas que não sabe se proteger. Um ator famoso que não sabe quem ele é. E um rancho no Texas que vai cobrar honestidade dos dois
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FICHA RÁPIDA
- Título original: The Bodyguard
- Data de publicação: EUA: 2022 | Brasil: 2023
- Tropes: Workplace romance, fake dating, forced proximity, opostos que se atraem
- POV: Hannah, primeira pessoa
- Temperatura: Morno — romance construído em cumplicidade e afeto crescente, sem cenas explícitas
- Faixa etária: Adultos
- Ambiente: Rancho familiar no interior do Texas — isolado, aconchegante, com o peso de uma família que guarda segredos
- Ritmo: Leve e fluido, com momentos de tensão emocional que vão se acumulando até a reta final
Tem um tipo de livro que você abre sem esperar muito e fecha com uma sensação quentinha que não sabe bem explicar. A Guarda-Costas é exatamente esse tipo de livro. Não é o romance mais ambicioso do gênero, não tem o slow burn mais denso nem o conflito mais complexo — mas tem algo que é mais raro do que parece: uma protagonista que você quer que dê certo, de verdade, não só com o herói, mas consigo mesma.
Foi esse livro que me fez querer ler mais Katherine Center. E entendo perfeitamente quem chegou aqui pelo mesmo caminho.
A história
Hannah Brooks é agente de proteção executiva — guarda-costas, no sentido literal — competente, determinada e recém-atingida por uma sequência de perdas: a mãe morreu, o namorado a abandonou no dia do funeral, e a melhor amiga ficou com o namorado. Tudo no mesmo mês.
A próxima missão? Proteger Jack Stapleton, ator muito famoso, numa cidadezinha do Texas onde ele foi visitar a mãe doente. Para que a família não descubra que ele precisa de proteção, Jack tem uma ideia que ele acha genial e Hannah acha horrível: ela vai fingir ser a namorada dele. O que começa como uma operação temporária vira um mês inteiro no rancho da família Stapleton — e o rancho, com toda a sua calma e afeto genuíno, começa a cobrar de Hannah coisas que ela passou a vida inteira fugindo de responder.
Hannah é o tipo de protagonista que a Katherine Center escreve com carinho e inteligência: competente por fora, com uma convicção profunda de que não merece ser amada por dentro. A história da infância dela é difícil — pai que foi embora, mãe que escolheu homens violentos, uma casa que deixou de ser segura — e o efeito disso não aparece como trauma dramático, mas como uma defesa silenciosa que ela mantém contra todo mundo, inclusive contra si mesma.
O arco dela não é sobre aprender a ser mais forte. É sobre aprender a parar de fugir. Há uma cena no rancho em que ela quase se afoga num rio e perde o amuleto que carregava desde criança, e o peso emocional desse momento é tão maior do que o incidente físico, que você precisar parar e respirar. Katherine Center sabe exatamente o que está fazendo quando escolhe os símbolos que usa.
Jack parece, nos primeiros capítulos, o tipo de herói que você já conhece: bonito demais, famoso, charmoso por necessidade. E a autora deixa Hannah achar isso por um bom tempo — porque Hannah também está com a guarda alta, e o leitor fica do lado dela.
Quando a armadura cai, o que aparece é um homem carregando um peso que ninguém à sua volta conhece de verdade. O acidente que matou o irmão, a culpa que ele aceitou carregar por promessa, os pesadelos que não param — tudo isso emerge aos poucos, em camadas, e o Jack que aparece no final é alguém completamente diferente do que a sinopse prometia. Ele não é o herói perfeito. É o herói certo para essa história.
O que funciona bem entre Hannah e Jack é exatamente isso: os dois estão fugindo de coisas parecidas por razões completamente diferentes. E o rancho não deixa ninguém fugir por muito tempo.
O trope: fake dating com alma
O fake dating aqui é honesto: Hannah e Jack têm razões profissionais e pessoais para manter a performance, e quando a linha entre fingir e sentir começa a se apagar, isso acontece de um jeito gradual e completamente crível. A família Stapleton ajuda muito nisso. Connie e Doc são o tipo de casal que faz você acreditar que amor de longa duração existe — e a forma como eles recebem Hannah, sem cerimônia e sem condescendência, é um dos elementos mais bonitos do livro. Hannah não está só fingindo namorar Jack. Está fingindo pertencer a uma família como aquela. E a linha entre fingir e querer que fosse verdade desaparece antes mesmo que ela perceba.
A Guarda-Costas é, no fundo, sobre o que acontece quando você acredita, desde criança, que não merece ser amada — e alguém insiste em te mostrar o contrário. Não de forma grandiosa, não com declarações, mas com presença constante e com o tipo de atenção de quem nota as pequenas coisas.
Katherine Center escreve isso com a leveza característica dela: nada é pesado demais, nada é resolvido rápido demais. A jornada de Hannah tem a lentidão certa de quem está desaprendendo uma convicção antiga. E quando chega, a virada é exatamente do tamanho que precisava ser.
Mas, como sempre, vou ser direta: A Guarda-Costas não é o romance mais complexo da Katherine Center. Alguns leitores vão sentir falta de mais profundidade nos personagens — Hannah e Jack têm traumas bem construídos, mas o desenvolvimento psicológico deles poderia ir mais fundo em alguns momentos. A química entre os dois é genuína, mas há cenas em que a tensão poderia ter mais peso.
O ambiente de trabalho tóxico da agência de segurança onde Hannah trabalha é introduzido e depois deixado de lado — é uma oportunidade narrativa que não foi totalmente aproveitada. E a reta final tem uma sequência que exige um certo suspense de descrença antes de funcionar.
Dito isso: nenhuma dessas ressalvas apagou o calor que o livro deixa. Katherine Center não promete intensidade — promete afeto. E entrega com generosidade. Tem uma cena no rancho em que Jack procura o amuleto perdido de Hannah às margens do mesmo rio que o assombra há anos. É pequena. É exatamente o tipo de gesto que a autora usa para dizer tudo sem precisar de palavras. Às vezes o que você mais precisa não é alguém que te salve. É alguém que fica quando você deixa cair as defesas.
Você vai fechar esse livro sorrindo. E vai querer o próximo.
A Adaptação
A Guarda-Costas está em produção pela Netflix com o título Guarding Stars. Leighton Meester interpreta Hannah Brooks e Jared Padalecki é Jack Stapleton — e sim, é o mesmo Jared Padalecki de Supernatural e Gilmore Girls, o que já garante uma legião de fãs curiosos antes mesmo da estreia. O elenco ainda conta com Andie MacDowell, o cantor country Walker Hayes e CM Punk, o lutador de wrestling que entra como membro da equipe de segurança. A direção é de Elizabeth Allen Rosenbaum.
A adaptação faz algumas mudanças em relação ao livro: a fazenda da família Stapleton sai do Texas e vai para Montana, e a história ganha clima natalino — o que não existe no livro original. O título precisou mudar porque The Bodyguard já é o nome do filme icônico de 1992 com Whitney Houston e Kevin Costner, e a equipe chegou a pedir sugestões aos leitores nas redes sociais. As filmagens aconteceram no Canadá entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Não há data oficial de estreia, mas o tom natalino aponta para o fim de 2026. Se você ainda não leu o livro: esse é o momento. Antes da Netflix, sempre.
É para você que…
- Curte fake dating com personagens que têm razões reais para manter a performance
- Aprecia protagonistas femininas fortes, que carregam feridas antigas, sem se tornarem frágeis
- Gosta de heróis famosos que são mais do que o personagem público que apresentam ao mundo
- Quer um romance aconchegante com coração verdadeiro — leve no tom, honesto no emocional
- Tem prazer em romances ambientados em cenários familiares: rancho, família grande, interior
Não é para você que…
- Prefere personagens com desenvolvimento psicológico mais denso e conflitos internos mais elaborados
- Se irrita com fake dating que poderia ser resolvido mais rapidamente
- Quer tensão alta e romance mais intenso — aqui o tom é mais aconchegante do que apaixonado
- Precisa de cenas quentes para se sentir satisfeita com o romance
- Prefere reta final sem sequências que exijam suspensão de descrença
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