Resenha: As Regras do Jogo, de Sarah Adams

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Um ex-namorado ressentido, uma agente determinada e um casamento acidental em Las Vegas que ninguém planejou — exceto, talvez, o destino

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FICHA RÁPIDA

  • Título original: The Rule Book
  • Data de publicação: EUA: 2024 | Brasil: 2025
  • Série: Los Angeles Sharks, livro #2
  • Tropes: Second chance romance, workplace romance, casamento acidental, enemies to lovers, found family
  • POV: Duplo (dual POV), em primeira pessoa
  • Temperatura: Morno — tensão bem construída, química palpável, mas sem cenas explícitas
  • Faixa etária dos protagonistas: Adultos
  • Ambiente: Los Angeles e Las Vegas — universo do futebol americano e do agenciamento esportivo
  • Ritmo: Slow burn mais tenso que o primeiro livro, com momentos de humor pontual

Nora é uma agente esportiva recém promovida que acaba de descobrir que o seu primeiro cliente é Derek Pender, seu ex-namorado, com quem ela terminou da pior forma possível na faculdade, e se arrepende até hoje. Você já sabe o que vem depois. E é exatamente isso que Sarah Adams vai demorar o livro inteiro para desmontar.

Nora e Derek foram namorados na faculdade. Ela terminou antes da formatura, sem muita delicadeza, às vésperas do draft que lançaria a carreira dele na NFL. Agora ela é a nova agente dele na Sports Representation Inc., cargo conquistado à força num ambiente de trabalho onde o colega Marty dedica tempo profissional a tornar a vida dela mais difícil.

Derek é o tight end dos Los Angeles Sharks — sim, o mesmo Derek de Táticas do Amor, que dava conselhos românticos para o Nathan. Ele está se recuperando de uma lesão no tornozelo, com um reserva jovem respirando no seu pescoço, e carrega um diagnóstico recente de dislexia que passou a vida inteira sendo confundido com falta de esforço.

E ele não quer saber de Nora. Aceita que ela seja sua agente com uma condição: vinte regras claras. Sem tocar, sem beijar, sem amizade, sem falar do passado. Um manual de convivência profissional que os dois, obviamente, vão descumprir religiosamente do primeiro ao último item.

Nora Mackenzie é competente até quando está nervosa, é determinada até quando está com medo, e é dona de uma voz interna que vai de zero a catástrofe em dois parágrafos, de forma completamente encantadora. Ela cresceu com uma mãe que a criou sozinha, depois que o pai entrou e saiu da vida dela quantas vezes quis — e internalizou que depender de alguém, especialmente de alguém com uma carreira maior que a sua, é uma forma de perder a si mesma.

Derek Pender é, em muitos aspectos, o tipo de herói que você não espera encontrar num romance de futebol americano. Por fora, tight end vitorioso da NFL com foto em capa de revista. Por dentro, um homem que passou a infância sendo chamado de preguiçoso porque ninguém entendeu que ele tinha dislexia e que criou anonimamente uma fundação para mães solo porque Nora uma vez falou sobre a mãe dela e ele nunca esqueceu.

A dinâmica entre os dois tem um tom diferente de Táticas do Amor — mais tenso, mais pesado, com um passado real que precisa ser resolvido antes que qualquer futuro seja possível. O plano de vingança de Derek — tarefas absurdas, ligações em horários impossíveis — não é só mesquinharia. É autodefesa mal disfarçada de um homem que ainda não conseguiu convencer o próprio coração de que ela não vale o risco. E quando ele finalmente para de fingir que está bem, o que aparece embaixo é um personagem que faz você entender completamente por que Nora nunca conseguiu esquecê-lo.

Las Vegas entra na história como Las Vegas costuma entrar nas histórias: no momento errado, com tequila e pouca luz. Os dois acordam casados. Com tatuagens de aliança nos dedos. Com uma foto no Instagram de Derek que já viralizou. O restante do livro é a negociação entre o que foi acidente e o que era inevitável — incluindo uma lua de mel coberta por uma revista de celebridades, um quarto só, uma cama só, e dois personagens que estão ficando sem desculpas para não ser honestos.

O que eleva As Regras do Jogo acima da média do gênero é o que Sarah Adams faz com os temas de fundo. A dislexia de Derek não é um detalhe de backstory, mas é a chave para entender por que a validação do futebol se tornou a única coisa que ele achava que merecia, e porque a possibilidade de perder o lugar no time ecoa a infância inteira se achando insuficiente. A luta de Nora num ambiente de trabalho machista, onde um colega que sabota ativamente a carreira de uma mulher é tratado como inconveniente a ser ignorado, é incômoda da forma certa. Você vai querer que Marty sofra consequências e Sarah Adams não te deixa na mão.

A crítica honesta: o início do livro é o mais difícil. O comportamento de Derek nas primeiras semanas é genuinamente irritante. Não o irritante delicioso do grumpy que você quer domesticar, mas o irritante de um adulto que está sendo cruel porque está com medo e não sabe fazer diferente. Leitoras que não têm paciência para esse tipo de obstáculo podem travar nas primeiras cem páginas. Se você chegar até Las Vegas, o livro muda de patamar.

As Regras do Jogo é sobre o que acontece quando você termina algo que não deveria ter terminado, mas passa anos convencendo a si mesma de que foi a decisão certa. Nora estava certa e estava errada ao mesmo tempo. Derek guardou o rancor e guardou o amor, tudo junto na mesma gaveta, porque não sabia o que fazer com eles. Às vezes o timing errado não significa a pessoa errada. Às vezes significa que os dois precisavam crescer primeiro.

É para você que…

  • Ama second chance romance com passado real e peso emocional de verdade
  • Gosta de herói que prova amor em gestos silenciosos antes de provar em palavras
  • Curte workplace romance com tensão profissional que complica o que já era complicado
  • Quer um livro que trate dislexia e discriminação no trabalho sem transformar em panfleto
  • Leu Táticas do Amor e quer reencontrar Nathan, Jamal e os Sharks num papel diferente
  • Não precisa de cenas explícitas para sentir que a temperatura subiu

Não é para você que…

  • Não tem paciência para herói que age de forma cruel antes de se redimir — o Derek do começo é difícil
  • Prefere conflito leve e sem consequências reais — aqui o passado tem dentes
  • Espera o mesmo tom leve e descomplicado de Táticas do Amor — esse livro tem um pouco mais de peso emocional
  • Se irrita com múltiplos tropes empilhados em sequência rápida

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