Uma videomaker que não sabe nadar. Um guarda-costeiro que salva todo mundo menos a si mesmo. E Key West no verão — que não deixa ninguém esconder nada por muito tempo
Este post contém links de afiliados da Amazon. Se você comprar por aqui, ganho uma comissão pequena — sem custo extra pra você. Isso ajuda a manter o Entre Tropes de pé e eu continuo recomendando só o que realmente vale a pena.
FICHA RÁPIDA
- Título original: The Love Haters
- Data de publicação: EUA: 2025 | Brasil: 2026
- Tropes: workplace romance, forced proximity, friends to lovers, jornada de autoaceitação
- POV: Katie, primeira pessoa
- Temperatura: Morno a quente — mais calor do que os outros livros da autora, com tensão sensorial presente
- Faixa etária: Adultos
- Ambiente: Key West, Flórida — praias, pôr do sol, base da Guarda Costeira, calor que não deixa ninguém se esconder
- Ritmo: Acelerado e envolvente, com um segundo ato que complica propositalmente antes de resolver
A Katherine Center tem uma especialidade declarada: escrever romances agridoces sobre mulheres que aprenderam, em algum ponto da vida, a se colocar por último. Haters do Amor leva esse tema mais longe do que qualquer outro livro dela — e de uma forma mais concreta, mais física, mais difícil de ignorar. Não é o livro mais complexo da autora. É o que vai mais fundo em algo que a maioria das mulheres conhece de perto, mesmo que nunca tenha dado nome.
A história
Katie Vaughn trabalha como produtora de vídeo numa empresa que está prestes a demitir metade do time. A salvação aparece na forma de uma missão em Key West: filmar um vídeo de recrutamento para um grupo de nadadores de resgate da Guarda Costeira — homens que pulam de helicóptero em mar aberto para salvar vidas.
O problema? Katie não sabe nadar. Desde criança, enquanto as primas iam para as aulas na piscina, ela era posta em dieta pela madrasta e aprendia que o próprio corpo era algo a controlar, esconder e se envergonhar. Roupa de banho virou sinônimo de exposição — e exposição, de dor. Quando ficou famosa por alguns meses como namorada de um músico viral, a imprensa transformou essa insegurança antiga em espetáculo público. As manchetes não criaram o problema. Só confirmaram o que ela já carregava desde pequena.
Katie mente sobre a habilidade de nadar, pega o trabalho, e chega em Key West esperando gerenciar tudo de longe. O que ela encontra é Tom “Hutch” Hutcheson — e a última coisa que deveria complicar o trabalho dela.
Katie é a protagonista mais visivelmente vulnerável que a Katherine Center já escreveu — e isso é ao mesmo tempo o maior ponto forte e o ponto mais controverso do livro. Ela tem uma história de bullying velado por parte da madrasta, uma relação complicada com o próprio corpo que se transformou em transtorno alimentar durante o relacionamento com o ex, e uma forma de se invisibilizar que ela refinou em anos de prática.
O que a autora faz com isso é honesto e cuidadoso: Katie não é curada pelo amor de Hutch. Com Rue, com Beanie no telefone e com Hutch, que aparece sem pedir nada em troca, ela se cura porque Key West vai criando um ambiente em que parar de se punir finalmente parece possível. A jornada dela é a história central do livro, e o romance é quase consequência disso.
Vale um aviso: o tema do transtorno alimentar é tratado com cuidado e seriedade, mas está presente de forma explícita. Para quem tem sensibilidade nessa área, vale ler com atenção. E uma crítica legítima: há momentos em que Katie parece precisar dos elogios de Hutch para começar a se aceitar, o que contradiz levemente a mensagem central do livro. A autora reconhece isso indiretamente, mas não resolve de forma completamente satisfatória.
Hutch é o tipo de herói que Katherine Center escreve com aquela generosidade específica: presente, atento, dono de um cachorro gigante chamado George Bailey que funciona como quebra-gelo em qualquer situação. Ele perdeu os pais num acidente quando era criança, foi criado pela tia Rue, e se tornou um dos nadadores de resgate mais competentes do país — o tipo de homem que salva vidas no trabalho e continua fazendo isso em casa sem chamar atenção para si mesmo.
Hutch tem uma fraqueza importante: ele é passivo demais no romance em alguns momentos-chave. Há uma cena específica, numa noite em que Katie precisa que ele tome uma posição, em que o comportamento dele é frustrante de um jeito que não é bem resolvido pelo texto. Katherine Center constrói heróis gentis melhor do que a maioria — mas gentileza sem atitude, em determinados momentos, pode soar como omissão.
O que salva Hutch é a consistência do cuidado dele. Ele não faz grandes gestos. Aparece quando precisa, lembra das coisas pequenas, e no momento final do livro prova, da forma mais literal possível, que é exatamente quem diz ser.
O trope: workplace romance no calor de Key West
O workplace romance aqui tem uma textura diferente dos outros livros da Katherine Center porque o ambiente de trabalho é fisicamente exigente e visualmente rico. A base da Guarda Costeira, os voos de treinamento, as missões de resgate — a autora pesquisou e usa esse mundo com um nível de detalhe que torna cada cena de trabalho genuinamente interessante, não só um pano de fundo para a tensão romântica.
A complicação com Cole — o gerente de Katie que é irmão de Hutch e que acumula mentiras sobre a relação dos dois para proteger o próprio emprego — adiciona uma camada de conflito externo que funciona bem no segundo ato. Mas o segundo ato também carrega peso em excesso em alguns pontos: as mentiras de Cole, o afastamento de Hutch e a chegada do chefe de Katie se acumulam num ritmo que pode fazer a narrativa parecer excessivamente dramática. Há cenas que dependem de personagens não conversando quando poderiam, e esse padrão aparece mais do que o habitual para a autora. Hutch também é passivo em alguns momentos que pedem mais dele — a cena do bar vai irritar algumas leitoras porque Katie merecia mais atitude naquele momento e não tem.
O furacão que aparece no terço final é o dispositivo mais ousado que a Katherine Center já usou para um clímax — e é polarizador: quem entra no espírito do livro vai adorar, quem prefere um ritmo mais realista pode achar exagerado. Mas a sequência entrega um momento de coragem — de Katie, de Hutch, dos dois juntos — que fecha o livro com o tipo de satisfação que a autora promete desde a primeira página.
Rue — a tia de Hutch que cuida de uma pequena vila de chalés em Key West, vende roupas coloridas numa loja chamada Vitamin Sea e carrega um diagnóstico terminal que guarda para si — é o personagem mais bonito do livro. Quando ela fala sobre como aprendeu a parar de se esconder, você entende de onde Katie vai tirar coragem para fazer o mesmo. A relação entre as duas se constrói sem cerimônia e vai crescendo até ocupar o centro emocional da história.
Beanie, a prima e melhor amiga de Katie, aparece quase inteiramente por telefone — e ainda assim é uma das presenças mais fortes do livro. Ela conhece Katie de um jeito que ninguém mais conhece: sabe de onde vêm as inseguranças, nomeia os padrões, diz a verdade sem anestesia, e faz isso com um amor incondicional que é raro de ver tão bem escrito. Todo mundo quer ter uma Beanie. Os diálogos entre as duas são alguns dos melhores do livro — e a dependência emocional de Katie em relação à prima é ao mesmo tempo encantadora e uma crítica legítima que a autora não esconde.
Haters do Amor é sobre aprender a ser gentil com o próprio corpo. Não no sentido abstrato de autoestima — no sentido físico e concreto de uma mulher que cresceu acreditando que seu corpo era uma vergonha pública, e que vai precisar de Key West, de Hutch, de Rue e de Beanie para começar a desaprender isso.
Tem uma cena em que Katie está à deriva numa situação extrema e começa a fazer as pazes com o próprio corpo — não porque está tudo bem, mas porque está tão ruim que não há mais espaço para crueldade interna. É a cena mais bonita do livro e uma das melhores que a autora já escreveu. Às vezes você só aprende a valorizar o que tem depois de enfrentar a possibilidade de perder. Katie aprendeu isso no meio de um furacão. Você não precisa ir tão longe — mas o livro vai te lembrar de tentar de qualquer forma.
É para você que…
- Quer uma jornada de autoaceitação tratada com honestidade e sem fórmula
- Curte heróis gentis e atentos que mostram cuidado através atos, não de declarações
- Aprecia personagens secundários marcantes — Rue e Beanie são duas das melhores criações da autora
- Quer um romance da Katherine Center com mais calor sensorial e cenário praieiro vibrante
- Está em paz com segundo ato mais complicado e clímax mais dramático do que o habitual
- Gosta de livros que tratam transtornos alimentares com seriedade e sem glamourização
Não é para você que…
- Transtornos alimentares como tema central são gatilho para você — verifique antes de começar
- Se irrita com herói passivo em momentos-chave — Hutch deixa a desejar em algumas cenas importantes
- Prefere conflito externo mais contido — o segundo ato acumula complicações
- Não curte clímax com elementos dramáticos extremos — o furacão vai dividir opiniões
- Quer protagonista que se aceite sem nenhuma validação externa no caminho
Você também vai gostar:
→ Conheça todos os livros da autora publicados no Brasil no Guia Definitivo de Katherine Center.
→ Romance no trabalho com aquela tensão que não deveria existir? Guia completo do workplace romance.
→ Gosta de um romance que cresce a partir de uma amizade? Leia o guia completo do friends to lovers.



