E se a pessoa que passou a adolescência inteira te provocando voltasse pra sua vida como seu chefe, e as provocações começassem a parecer muito mais com flerte do que com implicância?
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FICHA RÁPIDA
- Título original: Wild Love
- Data de publicação: EUA: 2024 | Brasil: 2026
- Tropes: surprise daughter, best friend’s little sister, boss x employee, he falls first and harder
- POV: Duplo (dual POV), primeira pessoa
- Temperatura: Quente — tem tensão sexual presente, cenas de portas abertas com detalhes explícitos.
- Faixa etária dos protagonistas: Adultos
- Ambiente: Rose Hill, Canadá — montanhas rochosas, lagos e um clima de cidade pequena que envolve desde as primeiras páginas
- Ritmo: Slow burn consistente — a tensão vai crescendo ao longo da história com um banter delicioso e afiado.
Ford Grant tem dinheiro, fama e foi eleito o Bilionário Mais Sexy do Mundo, um título de revista que prefere esquecer. O que ele quer mesmo é sossego: abrir o próprio estúdio de gravação em Rose Hill, a cidadezinha nas montanhas onde passava os verões, e produzir música longe dos holofotes. O plano dura até uma menina de 12 anos bater na porta dele dizendo que é sua filha biológica.
E, como se isso não bastasse, Rosalie Belmont, a irmã caçula do seu melhor amigo e a pessoa que mais o tirou do sério na adolescência, também está de volta à cidade, sem emprego e sem plano. Quando ela pede uma vaga no estúdio, ele a contrata, afinal, ele nunca soube como dizer não para Rosie. Agora, ele só precisa garantir que as coisas sejam sempre profissionais. Fácil, certo? Errado. Eles acabam em uma dinâmica chefe x funcionária que nos proporciona uma série de trocas de e-mails muito divertidas, que se tornam flertes disfarçados de provocação.
Quando Cora aparece na porta de Ford alegando ser sua filha, seu primeiro instinto é acreditar que estão tentando se aproveitar dele. Mas, quanto mais conversa com ela, mais tem certeza de que precisa ajudar aquela garota. Leal, confiável e protetor, Ford é o tipo de book boyfriend que te conquista antes mesmo que você perceba o que está acontecendo. Por trás da imagem do bilionário que parece ter a vida perfeita, existe alguém que está completamente despreparado para tudo o que Cora vai colocar no seu caminho. E acompanhar esse homem completamente perdido quando precisa lidar com algo que não pode simplesmente resolver com dinheiro ou planejamento foi uma das coisas que mais gostei nele.
Rosie é a primeira pessoa da família a ter mais acesso aos estudos. Ela saiu de Rose Hill, fez graduação, MBA e conseguiu um trabalho em uma empresa de materiais de construção que foi eleita uma das maiores companhias do mundo. Sua vida é perfeita, ou pelo menos é o que ela tenta se convencer. Vivendo um relacionamento em que os dois parecem dois estranhos e repetindo exaustivamente que está no emprego dos sonhos, Rosie não quer aceitar que a vida na cidade grande não é tão boa como sempre idealizou.
Sarcástica, engraçada e dona um coração enorme, é impossível não se identificar com Rosie. Por trás de toda a certeza que tenta demonstrar sobre as escolhas que fez, existe uma mulher tentando entender se aquilo que conquistou realmente é o que deseja para a própria vida. E acho que foi justamente essa contradição que fez com que eu me conectasse tanto com ela.
A dinâmica entre Ford e Rosie é a mesma desde a adolescência: farpas que parecem ódio, mas que, no fundo, escondem uma atração avassaladora. Ford sempre foi apaixonado por Rosie, mas sabe que a irmãzinha do seu melhor amigo é território proibido. Ele não esperava que ela fosse dificultar tanto sua tentativa de manter as coisas no nível de inimigos íntimos de sempre.
E é essa história de sentimentos antigos que nunca desapareceram completamente que torna a dinâmica dos dois tão gostosa de acompanhar. O diário que Rosie escreveu na adolescência, e que Ford guardou todos esses anos, reaparece, e ela começa a deixar páginas dele na mesa de Ford para ele ler. A gente lê junto. E é relendo aquelas páginas, dez anos depois, que Rosie percebe que já olhava para ele com outros olhos, só não sabia dar nome ao que sentia. Existe uma intimidade construída ao longo dos anos que faz com que, mesmo quando estão se provocando, exista algo muito mais profundo por trás de cada conversa.
Só que, agora, o proibido vem em dose dupla: além de irmã caçula do melhor amigo, Rosie também é funcionária dele. Ele é quem assina o contracheque, ela precisa daquele emprego para recomeçar, e qualquer passo em falso coloca em risco não só a amizade com o West, mas também o trabalho dela. O que começa como uma tentativa de manter limites profissionais vai ficando cada vez mais difícil de sustentar, e é nas trocas de e-mails que o sentimento transborda. Elas funcionam tão bem porque são o canal oficial, o único lugar onde tudo deveria ser estritamente profissional, e é exatamente ali que o flerte encontra brecha para acontecer.
Cora é um contraponto muito interessante na dinâmica dos dois, e a relação dela com Ford foi tão bem construída quanto o romance com a Rosie. Ela não está ali somente para movimentar a trama: com ela, Ford e Rosie desenvolvem uma relação de coparentalidade que surge naturalmente, e a presença dela cria espaço para que Ford descubra um lado de si que ainda não conhecia, além de mostrar Rosie ocupando um espaço importante na vida dele antes mesmo que os dois consigam admitir o que sentem.
Rosie viu seu mundo desabar na cidade grande, mas não está pronta para aceitar que voltar para casa não significa que fracassou. Ela está tentando lidar com o trauma que sofreu e encontra apoio em Ford, seu inimigo de longa data, mas que, olhando para trás, sempre esteve ali como um porto seguro para o qual ela poderia voltar.
Enquanto Ford tenta descobrir como ser uma figura paterna para Cora, sente que não consegue fazer nada direito. Acostumado a ter o controle de tudo, está sendo enlouquecedor não saber como consertar as coisas para uma garotinha que precisou crescer muito rápido e por quem desenvolveu um instinto protetor quase instantâneo. É nesse ponto que Rosie se encaixa tão bem: ela surge como um raio de sol em meio à Grande Tempestade, trazendo para a vida dele a paz que só ela é capaz de proporcionar.
É aí que está o coração da história. Rosie e Ford estão, de maneiras diferentes, tentando aceitar que não precisam ter todas as respostas e que mudar de caminho não significa ter fracassado. Enquanto ela precisa reaprender a enxergar Rose Hill não como o lugar de onde precisou partir, mas como um lugar onde ainda pode construir uma vida que faça sentido, Ford precisa aprender que nem tudo está sob seu controle e que não precisa saber exatamente como fazer tudo para, ainda assim, ser alguém em quem os outros podem confiar.
Esse livro me cativou desde a primeira página. Não sei dizer o que a Elsie colocou nessas páginas, mas eu simplesmente não conseguia parar de ler. O romance é tão bem desenvolvido e os protagonistas são tão maduros, algo que é muito raro de se ver, e essa foi uma das razões que me fizeram gostar tanto dessa história.
Eles conversam e se comunicam para resolver as situações e, mesmo durante o dark moment, essa maturidade permanece presente, tornando o conflito ainda mais interessante e profundo quando finalmente é resolvido. Não é um romance em que os problemas existem apenas porque os personagens se recusam a conversar. Eles erram, ficam magoados e precisam lidar com sentimentos difíceis, mas existe uma disposição real para tentar entender o outro, e isso fez toda a diferença para mim.
Os diálogos são tão lindos que me fizeram chorar, o que é bem difícil de acontecer quando estou lendo. E acho que isso resume muito bem a experiência que tive com esse livro: entre as provocações, os e-mails, as gargalhadas e o romance, existem momentos que conseguem chegar em lugares muito mais emocionais do que eu esperava.
Se eu tivesse que apontar alguma ressalva, seria um detalhe pequeno, que não diminui o quanto amei essa história. Na primeira cena de sexo dos dois, a camisinha simplesmente não aparece, e o assunto só é conversado depois. Elsie Silver é uma autora que fala com um público enorme, muitas vezes jovem, e acho que existe uma responsabilidade em não tratar como natural uma decisão que, na vida real, precisa ser conversada.
Amor Selvagem é o tipo de livro que te arrebata já na dedicatória. Um romance repleto de camadas que, ao mesmo tempo em que irá te fazer dar boas gargalhadas, também vai te arrancar algumas lágrimas. E, quando você chegar à última página, vai levar com você um recado que vale para muito além de Rose Hill: voltar para casa não é desistir. Às vezes, é só o jeito mais corajoso de recomeçar.
É pra você que…
- Ama best friend’s little sister com anos de sentimento guardado
- Gosta de protagonistas maduros, que conversam em vez de criar problema por falta de comunicação
- Curte banter afiado, e aqui boa parte do flerte acontece por e-mail
- Se derrete por mocinho aprendendo a ser pai, e por uma pré-adolescente que rouba a cena
- Quer cidade pequena, lago e montanha como cenário de recomeço
- Prefere romance com cenas de portas abertas
Não é pra você que…
- Prefere romances sem cenas explícitas
- Espera enemies to lovers com ódio de verdade: aqui é implicância antiga, com muito carinho por baixo
- Não curte quando uma trama de paternidade divide espaço com o romance
- Quer um livro movido por grandes reviravoltas: o foco aqui é emocional
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Giovanna trabalha com planilhas durante o dia, mas sua verdadeira paixão é falar sobre romances. Lê o gênero quase exclusivamente e tem um carinho especial por histórias que equilibram humor, emoção e personagens inesquecíveis. Escreve resenhas para o Entre Tropes e provavelmente está tentando convencer alguém a ler o último romance que favoritou.



