O que sobra de uma amizade quando as palavras deixam de chegar?
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FICHA RÁPIDA
- Título original: Fake Skating
- Data de publicação: EUA: 2025 | Brasil: 2026
- Tropes: childhood friends to enemies to lovers, forced proximity, fake dating, sport romance
- POV: Duplo (dual POV), em primeira pessoa
- Temperatura: Frio — alguns beijos ficam mais intensos, mas não passa disso
- Faixa etária dos protagonistas: Adolescentes, último ano do Ensino Médio
- Ambiente: Southview, Minnesota
- Ritmo: Slow burn leve, os protagonistas vão se reconectando aos poucos depois de anos afastados.
Eles trocavam cartões-postais o ano inteiro em um dialeto que somente os dois seriam capazes de ler. Até que um dia, sem explicação, eles param de chegar. Anos depois Dani se muda com a mãe para Southview após o divórcio dos pais, e o menino que costumava ser seu melhor amigo agora é o astro do hóquei na cidade e se recusa a reconhecer sua presença. E é com esse cara que ela vai fingir namorar.
Alec precisa de uma imagem impecável e uma foto fora de contexto nas redes sociais pode custar sua vaga no Draft da NHL. Dani precisa de créditos para aplicar sua bolsa de estudos e acaba virando assistente do time de hóquei. Quando o treinador os encontra em uma situação comprometedora e tira suas próprias conclusões, nenhum dos dois corrige.
Dani desistiu de ter amigos. Depois de anos sendo obrigada a se mudar por conta da profissão do pai, ela entendeu que criar vínculos seria perda de tempo e por isso escolheu focar nos estudos com o objetivo de entrar em Harvard. Forçada a se mudar mais uma vez, Dani precisa lidar com o estresse de iniciar em uma nova escola e conviver com o avô com quem não tem nenhuma relação. Ela chega em Southview sabendo que vínculos são temporários, por isso, quando Alec sugere um namoro falso com data para acabar, ela não tem como recusar.
Alec acredita que é seu dever dar uma vida financeira confortável para sua família. Depois do acidente do seu pai, que o impossibilitou de trabalhar devido às dores crônicas, ele vê a NHL como salvação para todos os seus problemas. Tentando equilibrar as responsabilidades com o trabalho e manter seu alto rendimento no hóquei, Alec está sob muita pressão. Ter sua ex-melhor amiga morando em Southview é o tipo de distração que ele não precisa no momento.
O namoro falso acaba funcionando como uma desculpa para que Alec e Dani ocupem novamente um espaço na vida um do outro sem precisar admitir que nunca deixaram de se importar. O romance não depende apenas da atração entre os protagonistas. Como eles já compartilharam uma amizade muito importante no passado, existe uma intimidade que permanece mesmo depois dos anos afastados. Pequenos gestos, piadas internas e lembranças em comum fazem com que a reconexão aconteça de maneira natural, reforçando a sensação de que eles nunca deixaram completamente de fazer parte da vida um do outro. É só quando Benji – o maior rival de Alec – passa a se aproximar de Dani por meio de mensagens e visitas inesperadas que o ciúme começa a aparecer, fazendo Alec se perguntar o quanto daquilo ainda era fingimento.
Mesmo vivendo realidades completamente diferentes, os dois compartilham a mesma necessidade de provar o próprio valor. Dani acredita que precisa ser impecável para conquistar seu futuro por meio dos estudos, enquanto Alec coloca sobre os próprios ombros a responsabilidade de salvar a família. No fundo, os dois carregam o peso de acreditar que amor e pertencimento precisam ser conquistados — e nenhuma dessas expectativas deveria ter sido responsabilidade de um adolescente.
A escrita da Lynn continua extremamente fluida, o que faz com que a leitura avance rapidamente sem perder espaço para os momentos mais emocionais. Ela consegue alternar cenas leves, diálogos divertidos e conflitos familiares de forma muito natural, sem que nenhuma dessas partes pareça deslocada. Mesmo sendo um YA, o livro aborda os conflitos familiares sem superficialidade. É possível sentir o peso que essas questões têm na vida de Dani e Alec, o que torna muito mais fácil criar uma conexão com ambos ao longo da leitura. Dani tem muitas questões com o pai, que recorre constantemente à chantagem emocional e a faz se sentir culpada em relação à mãe. Em contrapartida, Alec, mesmo tendo um bom relacionamento com os pais tem carregado o fardo de tentar salvar a família da falência, mesmo que ninguém tenha pedido ou deixado subentendido que isso fosse responsabilidade dele.
A forma como os personagens secundários participam da história também é muito importante. Eles não estão ali apenas para movimentar o romance, mas ajudam a ampliar os conflitos e a mostrar diferentes lados dos protagonistas. O avô é o melhor exemplo: a relação dos dois não se resolve com uma conversa bonita, e sim aos poucos, no convívio — e é acompanhando isso que a gente vê Dani finalmente criando raízes depois de uma infância inteira de mudanças.
Algumas coisas me incomodaram ao longo da leitura, como o fato de o Alec ser um pouco grosseiro demais com a Dani no início do livro. O motivo do rompimento entre os dois acaba explicando esse comportamento, mas confesso que as primeiras páginas são desconfortáveis de ler. Também me incomodou a demora para conversarem sobre o porquê das cartas terem parado de chegar de uma hora para outra, mas sempre que esse sentimento surgia eu me lembrava que estamos falando de adolescentes e nessa idade não somos conhecidos por falar abertamente sobre sentimentos e resolver os problemas como adultos.
Mais do que um romance entre melhores amigos que se reencontram, Patinando no Amor fala sobre crescer carregando expectativas grandes demais. Ver Dani e Alec perceberem, aos poucos, que não precisam medir o próprio valor pelas conquistas para merecer amor foi o aspecto que mais me marcou durante a leitura. E, como se isso não bastasse, a Lynn ainda entrega mais um protagonista masculino impossível de esquecer. Alec, para mim, ocupa agora o primeiro lugar.
Sinto muito, Wes… esse título não é mais seu.
É para você que…
- Gosta de YA
- Ama livros em que os protagonistas se conhecem desde a infância
- Não está a fim de uma leitura com muita carga emocional
- Gosta de comédias românticas com vibe sessão da tarde
- Curte romances com esportes
- Já conhece a escrita da Lynn e gosta dos livros dela
- Está querendo fugir de uma ressaca literária e não sabe que livro escolher
Não é para você que…
- Não tem paciência com personagens que evitam se comunicar
- Se irrita com protagonistas adolescentes e não tem paciência para a imaturidade deles
- Só lê romances com hot e costuma pular histórias mais leves
- Já leu outros livros da Lynn e não gostou da escrita por considerá-la leve e pouco profunda
- Prefere livros mais densos e cheios de drama
- Não gosta de romances com personagens que se conhecem desde a infância
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Giovanna trabalha com planilhas durante o dia, mas sua verdadeira paixão é falar sobre romances. Lê o gênero quase exclusivamente e tem um carinho especial por histórias que equilibram humor, emoção e personagens inesquecíveis. Escreve resenhas para o Entre Tropes e provavelmente está tentando convencer alguém a ler o último romance que favoritou.



