A autora que transformou herói possessivo em fenômeno global — e conectou tudo num universo só
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Quem é Ana Huang?
Ana Huang é uma daquelas autoras que o mercado editorial não viu chegando. Ela começou publicando de forma independente, escrevendo new adult (protagonistas no início da vida adulta, universidade ou primeiros anos de carreira) para um público pequeno, e nenhuma editora grande estava prestando atenção. Aí veio o TikTok e, mais especificamente, Alex Volkov. Em questão de meses, Amor Corrompido deixou de ser um livro autopublicado para virar fenômeno global, e Ana Huang passou a ocupar o primeiro lugar nas listas do New York Times, do Sunday Times e do USA Today ao mesmo tempo.
Hoje seus livros estão traduzidos em mais de trinta idiomas e ela é rotina em veículos que historicamente ignoram romance: NPR, Cosmopolitan, Good Morning America, PEOPLE. E todo esse sucesso também está saindo do papel: duas das quatro séries dela estão a caminho das telas. Não é pouco pra uma autora que começou publicando sozinha, sem editora grande de olho nela.
Ana é chinesa-americana, apaixonada por viagem e admite sem constrangimento nenhum uma dependência séria de chai latte. Mas o dado biográfico mais relevante para entender a obra dela é outro: Ana Huang escreve exatamente o tipo de livro que ela mesma queria ler. Não tem cálculo de mercado, não tem tentativa de agradar a crítica, não tem meio-termo. Tem herói obcecado, heroína que não se dobra, tensão sexual em volume industrial e um universo inteiro conectado por dentro. Ela decidiu o que queria escrever e não pediu licença — o que, convenhamos, é muito coerente com os homens que ela inventa.
Por que Ana Huang conquista tantas leitoras?
Existe uma resposta preguiçosa para essa pergunta — “porque é picante” — e ela está errada. Picante tem de sobra no mercado. O que Ana Huang faz e quase ninguém faz igual é outra coisa.
O primeiro motivo é a devoção como espetáculo. Os homens dela não sofrem em silêncio, não engolem sentimento, não passam 300 páginas fingindo indiferença. Eles decidem, comunicam a decisão e reorganizam a vida inteira em torno de uma mulher. É o oposto do pining melancólico que domina o romance contemporâneo, e funciona porque entrega imediatamente a fantasia central do gênero: ser escolhida sem hesitação, por alguém que não considera a hipótese de mudar de ideia.
O segundo motivo é o equilíbrio delicado entre possessivo e assustador. Os MMCs de Ana Huang são perigosos — literalmente perigosos, em vários casos. A ameaça existe e é real, mas nunca aponta para a protagonista. É essa distinção que separa o trope de obsessão bem escrito do trope de obsessão que dá vontade de chamar a polícia, e é por isso que leitoras que normalmente não gostam de MMC possessivo abrem exceção aqui.
O terceiro motivo são as protagonistas. Vivian, Isabella, Alessandra, Sloane, Ava, Bridget, Stella — nenhuma delas precisa ser resgatada. Elas têm ambição própria, carreira própria e limites próprios, e o conflito quase nunca é “ele salva ela“. É “ele descobre que não manda nela“. A rendição é sempre dele, e a leitora está ali justamente para assistir a queda.
E tem a temperatura, que é preciso dizer com todas as letras: os livros de Ana Huang são explícitos. Sem eufemismo, sem porta fechada, sem corte de cena. Se você procura closed-door, este guia inteiro não é para você — e não tem problema nenhum, é só saber antes de comprar. A escrita é em primeira pessoa com POV duplo (com exceção da série If Love, que é em terceira pessoa), os capítulos são curtos, o ritmo é rápido e o efeito prático é o mesmo em todos os livros: você abre para ler dez páginas e perde a noite.
Por último, e talvez o mais subestimado: tudo é conectado. Todos os livros de Ana Huang, das quatro séries, acontecem no mesmo universo. Personagens de uma série aparecem como coadjuvantes em outra, casais antigos reaparecem em fases novas do relacionamento, e há easter eggs espalhados que só fazem sentido para quem já leu. Nenhum livro exige o outro — mas quem lê tudo recebe uma camada extra de recompensa. É construção de universo em pleno romance contemporâneo, e é um dos motivos pelos quais a fidelidade de leitor dela é tão alta.
Os livros e a ordem de leitura
Série Twisted — finalizada
É a série que transformou Ana Huang no que ela é hoje, e continua sendo a porta de entrada mais indicada para quem nunca leu nada dela. Quatro livros, quatro casais, todos independentes — mas com personagens que circulam entre as histórias de um jeito que torna a leitura em ordem muito mais gostosa. O universo gira em torno de um grupo de amigos em Washington D.C. e da família Chen, e a temperatura sobe a cada volume.
Uma observação útil: apesar da fama de ‘dark romance’ que a série carrega no TikTok, isso não é exatamente verdade. Dark romance, no sentido técnico do termo, lida com temas como captura, tortura e moralidade extrema sem filtro. Twisted é outra coisa: romance contemporâneo intenso, com elementos de suspense e heróis moralmente cinzentos, mas dentro de limites bem mais confortáveis do que o rótulo sugere.
E a notícia mais recente: Twisted está sendo adaptada para série pela Netflix. Ana Huang confirmou pessoalmente no Instagram, e segue como uma das vozes por trás do projeto. Ainda sem elenco anunciado — e vale desconfiar de qualquer ‘casting vazado’ que não venha da Netflix ou da própria autora.

1. Amor Corrompido
Twisted Love | EUA: 2021 | Brasil: 2023
Tropes: brother’s best friend, grumpy x sunshine, herói com coração de gelo, forced proximity
Alex Volkov é o melhor amigo do irmão de Ava Chen, e assume o compromisso de protegê-la do ex-namorado problemático enquanto Josh passa um ano fazendo trabalho voluntário na América Central. É uma responsabilidade que ele aceita com o entusiasmo de quem foi convocado para um júri popular — mas, por trás da frieza, existe um motivo real: Alex não conseguiu proteger a própria família de uma tragédia anos atrás, e a possibilidade de falhar de novo é o tipo de peso que ele carrega em silêncio. Ava é o oposto exato dele: solar, calorosa, fotógrafa, cheia de vida apesar de não ter nenhuma lembrança da própria infância antes dos nove anos.
O que faz esse livro funcionar não é o romance em si, é o mecanismo por trás dele. Alex construiu a vida inteira sobre controle absoluto — como forma de nunca mais sentir aquele tipo específico de impotência —, e Ava é a primeira coisa em anos que ameaça essa arquitetura. Todo o prazer da leitura está em assistir um homem que confunde proteção com controle perceber, devagar, que perdeu as duas coisas. É o livro que estabeleceu a assinatura de Ana Huang e o que mais viralizou — se você só for ler um da série, leia esse.

2. Jogos do Amor
Twisted Games | EUA: 2021 | Brasil: 2023
Tropes: bodyguard romance, romance proibido, princesa x plebeu, forced proximity, he falls first
Rhys Larsen é guarda-costas e tem uma regra que nunca quebrou: nada de envolvimento emocional com quem ele protege. Bridget von Ascheberg é princesa de Eldorra, e quando o irmão dela abdica, ela se vê diante da possibilidade real de um trono que nunca quis e de um casamento sem amor, arranjado por conveniência política — tudo isso enquanto tenta esconder o que sente pelo único homem que deveria estar ali só pra protegê-la.
É o livro mais romântico da série e o favorito de uma parcela enorme de leitoras, inclusive acima de Amor Corrompido. O motivo é a estrutura do conflito: aqui a barreira não é psicológica, é institucional. Os dois se querem e sabem disso; o que impede é um país inteiro. Isso produz uma tensão de natureza diferente, menos “ele não admite o que sente” e mais “os dois admitem e não podem fazer nada a respeito“, que é uma das construções mais cruéis e mais eficientes do romance.

3. Amor e Ódio
Twisted Hate | EUA: 2022 | Brasil: 2024
Tropes: enemies to lovers, irmão da melhor amiga, banter
Josh Chen, irmão de Ava, é médico em formação, arrogante, dono da língua mais afiada da série. Jules Ambrose é a melhor amiga de Ava, estudante de direito, e a única pessoa capaz de devolver cada alfinetada com juros. Os dois se detestam com dedicação profissional há anos, até que uma noite muda tudo e eles fecham um acordo de “inimigos com benefícios”: sem ciúmes, sem compromisso, e proibido se apaixonar.
É o volume mais engraçado da série e o que tem o banter mais bem construído. Mas o que salva o livro de ser apenas divertido é o subtexto: os dois estão usando a rivalidade como fantasia, e a fantasia serve para não olhar de frente feridas bem específicas — a de Jules, em particular, é a mais pesada de tudo que Ana Huang escreveu até aqui. Enemies to lovers só funciona de verdade quando a hostilidade está encobrindo alguma coisa, e aqui está.

4. Mentiras do Amor
Twisted Lies | EUA: 2022 | Brasil: 2024
Tropes: obsessão, proximidade forçada, fake dating, morally grey MMC, he falls first
Christian Harper é encantador, letal e inteligente o suficiente para ninguém desconfiar do que ele é de verdade: um monstro de terno impecável. Stella Alonso mora no apartamento de baixo, é influenciadora de moda, doce e introvertida a ponto de quase desaparecer nos ambientes. Ele a observa há muito mais tempo do que ela imagina. Quando uma ameaça do passado de Stella a força a se refugiar na casa do homem mais perigoso que ela já conheceu, os dois fecham um acordo de fake dating que nenhum deles estava preparado pra sentir de verdade.
É o livro mais longo e o mais extremo da série, e o que mais divide opiniões. Christian é o MMC mais assustador que Ana Huang escreveu. Ele não é um homem frio que descongela, é um homem sem freio moral nenhum que encontra a única exceção. Se você chegou até aqui pelo trope de obsessão declarada, está no lugar certo. Se a linha entre devoção e vigilância te incomoda, esse é justamente o livro que vai cruzá-la.
Série Reis do Pecado — em andamento
Sete livros previstos, um para cada pecado capital, cada um com um homem absurdamente rico e absurdamente danificado. Todos os protagonistas masculinos pertencem ao Valhalla Club, um clube privado de Nova York onde circula gente com dinheiro suficiente para comprar países pequenos. Os livros são independentes, mas a leitura em ordem entrega uma coisa que a leitura avulsa não entrega: você conhece cada rei como coadjuvante antes de ele virar protagonista, e chega no livro dele já com opinião formada — que quase sempre estava errada.
Os cinco primeiros já chegaram ao Brasil pela Editora Arqueiro.

1. Rei da Ira
King of Wrath | EUA: 2022 | Brasil: 2023
Tropes: casamento arranjado, MMC possessivo, chantagem, ele cai primeiro
Dante Russo é implacável, meticuloso e obcecado por controle — e é justamente por isso que uma chantagem funciona tão bem contra ele. Forçado a aceitar um noivado com Vivian Lau, herdeira de um império de joias e filha do seu futuro sogro, Dante entra no acordo com um plano em duas etapas: primeiro neutralizar a chantagem, depois destruir a empresa do homem que ousou ameaçar a família dele. Vivian aceita quase sem questionar, por dever familiar — decisão que, convenhamos, soa estranha pra uma mulher que construiu a própria independência financeira, mas é o ponto de partida da história mesmo assim. Nenhum dos dois previu a parte em que ele não consegue mais imaginar a vida sem ela.
É o livro que abre a série e o mais buscado dela, e cumpre exatamente o que promete. Dante é o retrato do homem que confunde controle com segurança, e a graça inteira está em vê-lo perder as duas coisas ao mesmo tempo. Vivian, por sua vez, é bem mais interessante do que a sinopse deixa entender: ela não é a herdeira decorativa que o enredo poderia ter feito dela, e a decisão dela de não se contentar com um casamento morno é o que move a segunda metade do livro.

2. Rei do Orgulho
King of Pride | EUA: 2023 | Brasil: 2024
Tropes: opostos que se atraem, romance proibido, sunshine x grumpy
Kai Young é discreto, controlado e impecavelmente educado, herdeiro de um império de mídia e às vésperas de uma votação que decide se ele assume o cargo de CEO. Isabella Valencia tem cabelo colorido, piadas inadequadas e uma capacidade impressionante de falar sobre sexo nos lugares mais errados possíveis. Ela trabalha no clube do qual ele é membro, o que torna qualquer envolvimento entre os dois uma péssima ideia por escrito. Eles têm a péssima ideia mesmo assim.
Kai é o oposto do arquétipo que consagrou Ana Huang. Ele não é frio, não é cruel, não precisa ser domado. Ele é sincero sobre o que sente quase desde o começo e passa o livro inteiro escolhendo Isabella de forma explícita, sem joguinho. Isabella, por sua vez, é peculiar do jeito certo — carrega a parte emocional mais dolorida da série até aqui: o pavor de não ter encontrado um propósito enquanto todo mundo em volta parece ter encontrado o seu. A química entre os dois é real. O que faltou, pra mim, foi ritmo: é um livro bom, mas sem aquele “algo a mais” que te prende e não solta — o tipo de intensidade que os outros volumes da série entregam com mais facilidade.

3. Rei da Ganância
King of Greed | EUA: 2023 | Brasil: 2024
Tropes: casamento em crise, second chance, grovel
Dominic Davenport saiu da pobreza absoluta e construiu sozinho o título de Rei de Wall Street. Ele tem a casa, o império, a fortuna — e uma esposa que ele parou de enxergar em algum ponto do caminho. Alessandra abriu mão de coisas demais para sustentar a ambição do marido, e quando finalmente decide sair, Dominic descobre, com um atraso brutal, que a única coisa que ele nunca calculou perder era ela.
É o livro mais adulto e mais doloroso da série, e o único que começa exatamente onde os outros terminam: depois do felizes para sempre. Ana Huang teve coragem de escrever um casamento em ruína de verdade, com culpa distribuída e sem vilão fácil, e o grovel de Dominic é um dos mais bem construídos que já li. Não é um homem que pede desculpa. É um homem que precisa reconstruir do zero a razão pela qual alguém deveria ficar com ele. Se você acha que romance com casal já casado não tem tensão, é este livro que vai te desmentir. Entre os cinco, ainda é o meu favorito, sem disputa.

4. Rei da Preguiça
King of Sloth | EUA: 2024 | Brasil: 2025
Tropes: proximidade forçada, playboy x workaholic, opostos que se atraem, workplace romance
Xavier Castillo herdou uma das maiores fortunas do mundo e nenhum interesse em administrá-la. Passa os dias em férias permanentes, cercado de amigos, música e mulheres que o adoram — com exceção de Sloane Kensington, sua assessora de imprensa, que é imune ao charme dele e irritá-la se tornou seu o passatempo favorito. Ele convence Sloane a acompanhá-lo numa viagem à Espanha, e a proximidade que começa ali só aumenta quando a doença do pai dele se agrava e os dois seguem direto para a Colômbia.
O apelido do livro entre leitoras é “o mais engraçado da série”, e é justo, mas subestima o que ele faz. A preguiça de Xavier não é preguiça: é medo de falhar, então ele prefere nunca tentar de verdade. Sloane, por trás da fama de fria e impessoal, carrega o mesmo medo em outro formato: o de nunca ser suficiente para ninguém. A dinâmica entre os dois é a mais divertida de Reis do Pecado e a que mais depende de banter, mas o miolo emocional é sobre duas pessoas com medos espelhados aprendendo, juntos, que dá pra tentar, mesmo com risco de falhar. Se o Dominic é meu favorito, o Xavier briga palmo a palmo pelo posto.

5. Rei da Inveja
King of Envy | EUA: 2025 | Brasil: 2026
Tropes: MMC obsessivo, he falls first, tensão silenciosa, forced proximity
Vuk Markovic é o mais fechado e o mais silencioso dos reis — e o único cujo passado e presente são violentos de verdade, não moralmente cinza. Ele é o padrinho de casamento de Ayana, que está prestes a se casar com o melhor amigo dele — e é nesse arranjo que os dois se aproximam. Ayana passa boa parte do livro convencida de que ele a detesta, porque o comportamento dele é contraditório a ponto de ser ilegível — e quem está lendo percebe a verdade muito antes dela: Vuk não a detesta. Ele está completamente rendido e não faz a menor ideia de como demonstrar isso sem assustá-la.
É o volume mais recente no Brasil, e o mais silencioso na forma como Vuk se expressa — a devoção dele aparece por ação, não por declaração. Mas não deixe o silêncio dele enganar: é o livro mais tenso e mais movimentado da série até aqui, puxando um passado que volta pra assombrá-lo depois de mais de dez anos. É também o volume que mais exige suspensão de crença por parte da leitora. Para quem gosta do trope de ‘ele parece odiar e é exatamente o contrário’, ainda vale a leitura; só não espere o mesmo terreno sólido dos quatro primeiros.

6. Rei da Gula
King of Gluttony | EUA: 2026 | Brasil: previsto para novembro de 2026
Tropes: childhood rivals to lovers, forced proximity.
Sebastian Laurent já circula pelos bastidores da série desde o primeiro livro, e em Rei da Inveja já fica claro quem vai protagonizar o próximo capítulo: Sebastian e Maya Singh, rivais desde a infância. Ele é herdeiro de um império da alta gastronomia, charmoso e talentoso o bastante pra parecer perfeito — o que deixa pouco espaço visível pros próprios demônios. Maya é a única que chega perto de ver o Sebastian de verdade, e também a única que consegue derrotá-lo em alguma coisa — o que faz dela, ao mesmo tempo, a maior rival dele e a obsessão que ele não consegue admitir. Maya é executiva de marketing, competitiva ao extremo, acostumada a vencer — com a exceção histórica de Sebastian. Quando uma sequência de eventos os força a trabalhar juntos, ela decide, mais uma vez, provar quem é melhor de uma vez por todas. O que ela não esperava era descobrir que talvez não odeie tanto assim a companhia dele.
Já foi publicado nos Estados Unidos, com edição em inglês disponível para compra na Amazon para quem não quiser esperar a tradução. No Brasil, chega pela Arqueiro em novembro de 2026, ainda sem pré-venda aberta até o fechamento deste guia. Assim que houver mais detalhes ou pré-venda confirmada, atualizaremos.

7. King of Lust
EUA: previsto para 27 de abril de 2027
Tropes: a confirmar
O sétimo e último pecado, encerrando a série com a história de Killian e Tate. A única pista que a própria Ana Huang confirmou até agora: “ele jurou nunca se apaixonar e alguns votos existem pra serem quebrados”. A sinopse completa ainda não foi divulgada, mas a edição em inglês foi anunciada para abril de 2027 e já está em pré-venda. No Brasil, o nome óbvio seria Rei da Luxúria mas nem título nem previsão de lançamento foram confirmados ainda. Pela média da série, faz sentido esperar que a edição brasileira só chegue em 2028. Mas Rei da Gula vai levar só 7 meses pra chegar aqui, não 12. Então vamos torcer pra editora Arqueiro manter esse ritmo. Atualizaremos assim que houver novidades.
Série Deuses do Jogo — em andamento
A virada de Ana Huang para o sports romance, e a mais leve das três séries principais. Três livros ambientados em Londres, todos em torno do Blackcastle, clube de futebol fictício que joga no Markovic Stadium — sim, o nome é uma homenagem ao Vuk de Rei da Inveja, e é o tipo de easter egg que faz quem leu tudo dar aquele sorrisinho de reconhecimento. É a série mais acessível para quem acha Twisted intensa demais: o perigo diminui, o humor aumenta, mas a temperatura continua alta.
Dois livros já chegaram ao Brasil pela Arqueiro e tem novidade grande também aqui: a trilogia inteira de Deuses do Jogo vai virar filme pela Amazon MGM Studios, com Ana Huang como produtora executiva. Os três livros — incluindo o ainda não lançado The Keeper — estão confirmados na adaptação. O elenco ainda não foi anunciado, mas estamos de olho.

1. Partindo Para o Ataque
The Striker | EUA: 2024 | Brasil: 2025
Tropes: irmã do rival, sports romance, forced proximity, he falls first
Asher Donovan acabou de trocar de time e ainda está tentando se encaixar no Blackcastle, enquanto a imprensa insiste em colocá-lo como rival de Vincent DuBois — mesmo os dois jogando em posições diferentes. Depois de um desempenho vexatório, Asher precisa passar o verão fazendo aulas de balé como castigo, ao lado do próprio Vincent. A professora é Scarlett DuBois — irmã de Vincent, ex-bailarina cuja carreira terminou num acidente, e exatamente a pessoa que ele não deveria querer logo agora, recém-chegado e ainda tentando provar seu lugar no time.
O livro faz uma coisa que sports romance quase nunca faz bem: dá à protagonista feminina uma perda tão pesada quanto a do atleta, em vez de usá-la como plateia. Scarlett convive com o luto de uma versão de si mesma que não existe mais, e o romance é construído em cima disso — os dois se tornam porto seguro um do outro antes de perceberem.

2. Em Defesa do Amor
The Defender | EUA: 2025 | Brasil: 2026
Tropes: forbidden romance, filha do técnico, irmão da melhor amiga, slow burn
Vincent DuBois é capitão do Blackcastle e um dos atletas mais bem pagos do esporte — o tipo de fama que, além de vantagens, atrai perigo real. Quando a exposição começa a colocá-lo em risco, ele se vê obrigado a dividir apartamento, em segredo, com Brooklyn Armstrong: nutricionista esportiva do clube, filha do técnico, e melhor amiga da irmã dele — ou seja, exatamente o tipo de tentação que ele sabe que não devia se permitir. Uma aposta que nasce dessa convivência forçada só aproxima os dois ainda mais, e Vincent percebe rápido que está em apuros bem maiores do que imaginava.
A opinião mais comum entre quem já leu os dois primeiros é que Em Defesa do Amor é o melhor deles, e o motivo é a temperatura emocional: enquanto Partindo para o Ataque aposta na tensão do proibido puro, aqui o proibido tem regra profissional real por trás — capitão e filha do técnico — e a relação se constrói sobre ternura e cumplicidade, com um homem disciplinado quebrando as próprias regras devagar e em silêncio. Chegou ao Brasil em agosto de 2026.

3. The Keeper
EUA: previsto para 27 de outubro de 2026
Tropes: single dad, grumpy x sunshine, forced proximity
Noah Wilson é goleiro do Blackcastle, pai solo mal-humorado e dono de um histórico e tanto de babás demitidas, uma atrás da outra. Carina Vu, amiga de Scarlett e Brooklyn, vinha economizando havia anos pra realizar um sonho de infância: viajar pra Antártida. Uma emergência zera a conta dela bem na reta final, e ela precisa de um emprego novo com urgência. A única opção viável é a vaga de babá que ninguém mais aguenta segurar.
É o primeiro single dad romance que Ana Huang escreve, o que já garantiu ao livro um nível de expectativa considerável antes mesmo do lançamento — e o primeiro da série a apostar tão forte no registro grumpy x sunshine, com ele convencido de que a implicância dele vai afastá-la, e ela cada vez mais entretida em descobrir as rachaduras por trás da fachada rabugenta. Pré-venda disponível na edição em inglês; no Brasil, sem título nem data até agora.
Livros sem tradução no Brasil — série If Love
Antes de Twisted, antes de qualquer viralização, Ana Huang escreveu quatro romances new adult que ela mesma define no site oficial como “doces, mas picantes”. É a série que abre o universo dela em ordem cronológica interna, e a única ainda sem edição brasileira — todos disponíveis em inglês na Amazon. Um aviso importante antes de você sair comprando: If Love tem uma vibe substancialmente diferente do resto da obra. É menos intensa, menos explícita e escrita em terceira pessoa, enquanto todas as séries seguintes são em primeira pessoa com POV duplo. A própria autora recomenda que quem procura o estilo que a consagrou comece por Twisted Love e deixe If Love para depois — ou para nunca, se aquele registro específico não for o que você busca.

1.If We Ever Meet Again (EUA: 2020)
Tropes: strangers to friends to lovers, intercâmbio, opostos
Farrah Lin tem dezenove anos e vai passar um ano de intercâmbio em Xangai com a certeza de que é ali que vai se apaixonar pela primeira vez. O problema maior é que ela não consegue parar de pensar em outra pessoa: Blake Ryan, ex-astro do futebol americano universitário que chocou todo mundo ao abandonar a carreira depois do terceiro título nacional — e fugiu para Xangai jurando manter a vida simples: nada de futebol, nada de compromisso, nada de romance. Primeiro livro de uma duologia — este não fecha a história. Compre na Amazon.

2. If the Sun Never Sets (EUA: 2020)
Tropes: second chance, grovel, reencontro, workplace
Cinco anos depois, Farrah é designer de interiores freelancer e entra numa reunião de trabalho sem saber que vai encontrar Blake, seu primeiro amor, seu primeiro coração partido e, a partir daquele instante, primeiro cliente. Por trás do sucesso e do império de bares esportivos que ele construiu, Blake carrega pesadelos de uma perda trágica e o peso de ter traído a mulher que amava. Quando o destino os reaproxima, ele decide que é hora de reconquistá-la — custe o que custar. Conclusão da duologia. Compre na Amazon.

3. If Love Had a Price (EUA: 2020)
Tropes: fake dating, acordo, ator x herdeira, opostos que se atraem
Kris Carrera oferece dez mil dólares a Nate, ator lindo e sem escrúpulos, pra que ele seduza a noiva caça-fortuna do pai dela. Ele contrapropõe quinze mil e um beijo — dela, na hora que ele escolher. Kris deveria ter dito não. Kris estava desesperada demais pra dizer não. O livro mais divertido da série e o mais próximo, em espírito, do banter que ela desenvolveria depois em Amor e Ódio. Compre na Amazon.

4. If We Were Perfect (EUA: 2020)
Tropes: forced proximity, roommates, second chance
Um alagamento no apartamento de Olivia destrói metade dos pertences dela e a obriga a pedir ajuda ao próprio ex — o que significa se mudar, temporariamente, pra casa de Sammy. Dois ex-namorados, uma casa só, e nenhum dos dois preparados pra reencontrar o que ainda sentem. Encerra a série e amarra as pontas soltas do grupo de amigos que atravessa os quatro livros. Compre na Amazon.
Por onde começar — e vale ler em ordem?
Aqui neste guia, como em todos os outros do blog, a recomendação de porta de entrada costuma seguir a ordem cronológica de publicação. Com Ana Huang eu abro exceção, e ela é justificada: a série cronologicamente inicial, If Love, é a menos representativa de tudo que veio depois. Começar por ali dá uma impressão errada da autora.
A porta de entrada é Amor Corrompido, o primeiro da série Twisted. É o livro que fundou o fenômeno, é o que estabelece a assinatura dela — herói obcecado, heroína que não se dobra, temperatura alta. A própria autora recomenda o mesmo ponto de partida, o que economiza discussão.
Se o que te trouxe até aqui foi o trope de bilionário possessivo e casamento arranjado, a alternativa é Rei da Ira, já que Reis do Pecado é a série que mais entrega exatamente isso: riqueza corporativa, arranjo forçado, homens que decidem e não recuam — com cinco volumes já publicados em português e ritmo de lançamento consistente.
Se você quer o registro mais leve, com mais humor e menos elementos de suspense que o resto da obra, comece por Partindo Para o Ataque. A série Deuses do Jogo é a mais recente e a mais acessível. Ainda assim, vale saber que ela também tem peso emocional real por trás do esporte, não é só comédia romântica.
Sobre ler em ordem dentro de cada série: não é obrigatório na maioria delas — a maior parte dos livros funciona como leitura independente, e a autora confirma isso. A única exceção é If Love, que traz uma duologia (If We Ever Meet Again e If the Sun Never Sets) e precisa ser lida em ordem pra fechar a história de Farrah e Blake. Fora esse caso, ler na sequência não é obrigação, mas é significativamente mais gostoso. Em Reis do Pecado, por exemplo, cada “rei” aparece como coadjuvante em pelo menos um livro antes do seu, e você chega na história dele já carregando uma impressão que o livro faz questão de desmontar.
E quem já leu mais de uma série sabe: nada em Ana Huang existe isolado. A ponte mais óbvia é Sloane, de Rei da Preguiça — assessora de imprensa que tem Ayana, Xavier e Asher como clientes, e que constrói amizade com Isabella, Vivian e, mais tarde, Alessandra. Ou seja: uma única personagem conecta Reis do Pecado e Deuses do Jogo pelas duas pontas.
Asher, protagonista de Partindo para o Ataque, aparece citado em todos os cinco Reis do Pecado publicados no Brasil — ora como cliente de Sloane, ora como o jogador bonito que as personagens comentam. A rivalidade dele com Vincent, que é o motor de conflito em Deuses do Jogo, já vem sendo plantada desde Rei da Inveja. E Vuk, o Rei da Inveja, dá nome ao estádio onde o Blackcastle joga.
Nada disso é obrigatório pra entender as histórias — mas é exatamente o tipo de detalhe que faz quem lê tudo sentir que está montando um quebra-cabeça maior, em vez de só terminando mais um livro.
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Paula é formada em Jornalismo, o que explica por que ela escreve mil palavras sobre um trope só. Lê romance quase exclusivamente e não pretende mudar isso — os outros gêneros que lutem. É fundadora do Entre Tropes e divide a casa com dois filhos pequenos, quatro gatos, um cachorro e uma quantidade de livros que ela prefere não estimar em voz alta.



