O que acontece quando encontramos alguém que nos enxerga além daquilo que o mundo espera de nós?
Este post contém links de afiliados da Amazon. Se você comprar por aqui, ganho uma comissão pequena — sem custo extra pra você. Isso ajuda a manter o Entre Tropes de pé e eu continuo recomendando só o que realmente vale a pena.
FICHA RÁPIDA
- Título original: The Striker
- Data de publicação: EUA: 2024 | Brasil: 2025
- Série: Deuses do Jogo (Gods of the Game)
- Tropes: forced proximity, sport romance, forbidden romance, slow burn
- POV: Duplo (dual POV), em primeira pessoa
- Temperatura: Quente – a tensão entre os dois atravessa as páginas e as cenas hot são de tirar o fôlego
- Faixa etária dos protagonistas: Adultos
- Ambiente: Londres, Inglaterra
- Ritmo: Slow burn, os protagonistas são forçados a conviver durante as aulas de ballet
Scarlett perdeu a carreira de bailarina em um acidente. Hoje ela dá aulas de balé — e o aluno que aparece no verão é um jogador de futebol arrogante, no auge, que representa exatamente o tipo de homem que ela jurou nunca mais deixar entrar na sua vida. Aqui, Ana Huang troca os bilionários pelos vestiários, e o futebol e o balé foram apenas uma parte da surpresa.
Depois de perder o campeonato mais importante da temporada de forma vexatória, Asher precisa passar o verão tendo aulas de balé com seu arqui-inimigo, Vincent DuBois. O que deveria ser apenas mais um castigo se torna muito mais complicado quando ele se sente atraído pela professora dos dois, Scarlett, ninguém menos que a irmã do seu maior rival. Para Scarlett, a situação também está longe de ser simples. Depois de um acidente que interrompeu precocemente sua carreira como bailarina, ela se acostumou a viver nos bastidores — e agora não sabe o que fazer com a atração que sente por alguém que representa exatamente a vida que ela decidiu evitar.
Asher Donovan, à primeira vista, parece ser exatamente aquilo que todos esperam de um astro do futebol: confiante, arrogante e acostumado a conseguir o que quer. Mas, conforme a história avança, essa imagem vai dando espaço para alguém muito mais complexo. Por trás do melhor jogador do mundo existe apenas um cara apaixonado pelo futebol e determinado a realizar o sonho pelo qual trabalhou a vida inteira. Ao mesmo tempo em que precisa lidar com as consequências da mudança de time, com a rivalidade com Vincent e a dificuldade de se integrar ao novo time e com um relacionamento cada vez mais complicado com o pai, Asher começa a perceber que o sucesso não é capaz de preencher todas as lacunas da sua vida.
Scarlett DuBois também está tentando descobrir quem é depois de perder aquilo que acreditava que a definiria para sempre. Ela queria ser a melhor bailarina do mundo e, depois do acidente, passou a enxergar as aulas que dá como um lembrete constante da carreira que poderia ter tido. Existe algo de agridoce em vê-la tão perto do palco sem poder ocupá-lo, e é impossível não sentir sua frustração quando ela admite sentir inveja de uma de suas próprias alunas. Mais do que superar o trauma, Scarlett precisa aprender a imaginar uma vida que não seja simplesmente uma versão menor daquela que perdeu. E Asher acaba sendo fundamental nesse processo ao incentivá-la a voltar a dançar, respeitando suas limitações e mostrando que recomeçar não significa necessariamente voltar a ser quem ela era antes.
O forbidden romance aqui não é regra de família nem proibição inventada. É risco de verdade: Asher acabou de trocar de time, ainda está tentando se encaixar, e a mulher por quem ele se interessa é irmã do jogador com quem a imprensa insiste em colocá-lo em disputa. Não é uma escolha entre seguir a regra ou quebrar a regra, é escolher entre duas coisas que ele quer muito sabendo que uma pode custar a outra.
A aproximação dos dois acontece de maneira inevitável. Entre provocações, banter e uma tensão que parece aumentar a cada aula de balé, Asher e Scarlett passam de uma atração difícil de ignorar para uma relação construída em companheirismo e confiança. O slow burn funciona justamente porque o romance não se resume ao desejo. Eles aprendem a se conhecer, a se apoiar e, principalmente, a serem vulneráveis um com o outro. Scarlett não o trata como a superestrela que todos enxergam, pelo contrário, sempre que pode o coloca em seu lugar, enquanto Asher respeita seu espaço e encontra maneiras de fazê-la se sentir segura. Aos poucos, sem que nenhum dos dois perceba, eles se tornam o porto seguro um do outro. E é justamente aí que Partindo para o Ataque mais me conquistou. Mais do que um romance proibido, a história fala sobre identidade e recomeço. Eles não estão ali para consertar um ao outro, mas para lembrar que nenhum dos dois precisa enfrentar tudo sozinho.
O universo do futebol também foi uma das coisas que mais gostei no livro. A escrita da Ana é muito fluida e ela consegue construir diálogos com um banter afiado, além de personagens que vão revelando novas camadas conforme a história avança. Como alguém que gosta muito de futebol, foi muito fácil me envolver com esse cenário e com toda a pressão que existe em torno de Asher. A rivalidade entre ele e Vincent também funciona como uma extensão desse universo. Mesmo jogando em posições diferentes, os dois são constantemente colocados como adversários pela imprensa, o que torna ainda mais complicado para Asher encontrar seu espaço dentro do novo time. É quase como rivalizar Taylor Swift e BTS: são artistas completamente diferentes, mas a imprensa decidiu que existe uma disputa entre eles. E o mais interessante é que essa relação também é desenvolvida pela autora, tornando a rivalidade parte importante da jornada do próprio Asher.
Apesar de ter gostado muito da construção dos personagens e do romance, o conflito do terceiro ato acabou me incomodando. O problema, para mim, não é simplesmente cometer um erro. Personagens precisam errar. O que me incomodou foi a sensação de regressão. Depois de acompanhar tanto amadurecimento e perceber o quanto Asher havia aprendido sobre responsabilidade, confiança e as consequências das próprias escolhas, vê-lo tomar justamente uma decisão que quebra uma promessa importante para Scarlett, acabou enfraquecendo parte do desenvolvimento que eu tinha gostado tanto de acompanhar. Em vez de sentir que o conflito era uma consequência natural da jornada do personagem, tive a impressão de que ele precisava voltar a agir como a versão inicial de si mesmo apenas para criar um conflito no terceiro ato.
Ainda assim, acompanhar Asher e Scarlett foi uma experiência que terminou com meu coração quentinho. Talvez porque, no fim, o que mais me marcou não tenha sido apenas vê-los se apaixonar, mas acompanhar duas pessoas tentando reconstruir partes de si mesmas enquanto descobrem que podem ser mais do que aquilo que um dia acreditaram que seriam. Asher aprende que o sucesso não resolve todas as suas feridas, e Scarlett descobre que seguir em frente não significa abandonar quem ela foi. Entre futebol, balé, banter, vulnerabilidade e muitos recomeços, Partindo para o Ataque acabou sendo uma surpresa muito mais apaixonante e confortável do que eu esperava.
É para você que…
- Quer sport romance em que o esporte é assunto de verdade, não pano de fundo decorativo
- Gosta de futebol e quer sentir a pressão real que existe em torno de um jogador no auge
- Curte slow burn construído em confiança e vulnerabilidade, não só em tensão sexual
- Quer hot bem escrito, com uma tensão que atravessa as páginas
- Gosta de romance proibido em que a proibição custa caro para quem transgride
- Já conhece a escrita da Ana e gosta do banter afiado dela
- Está cansada de romance ambientado nos EUA e quer um livro que se passa em Londres
- Quer acompanhar dois personagens se reconstruindo, não só se apaixonando
Não é para você que…
- Perde a paciência com slow burn e sente que os personagens andam em círculos
- Prefere não acompanhar protagonistas lidando com trauma ao longo de todo o livro
- Pula as cenas explícitas e prefere romances sem hot
- Não tem interesse nenhum por esporte e acha que futebol atrapalha o romance
- Já leu a Ana antes e não se identificou com a escrita dela
- Quer desenvolvimento rápido, sem drama e sem muitas camadas
- Precisa que o conflito do terceiro ato nasça da jornada do personagem, e não de uma escolha que contraria tudo que ele aprendeu
Você também vai gostar:
→ → Se romance proibido é o seu fraco, vem aqui entender porque esse trope funciona tão bem: Forbidden Romance: quando o amor é proibido, a história fica irresistível
→ A proximidade forçada entre Asher e Scarlett não é acaso. Esse é um dos tropes mais eficientes do romance contemporâneo. Entenda por quê: Forced Proximity: o guia do trope onde o universo conspirou a favor do romance
→ Termos como slow burn, dark moment, banter — se algum apareceu nesta resenha e ficou a dúvida, esse glossário resolve: Dicionário do Romance

Giovanna trabalha com planilhas durante o dia, mas sua verdadeira paixão é falar sobre romances. Lê o gênero quase exclusivamente e tem um carinho especial por histórias que equilibram humor, emoção e personagens inesquecíveis. Escreve resenhas para o Entre Tropes e provavelmente está tentando convencer alguém a ler o último romance que favoritou.



